sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Fazenda Caiçara - Berço de Sobral




Dom José em suas pesquisas, não descobriru quem fora o primeiro proprietário da fazenda Caiçara, porém tudo leva a crer que o seu possuidor capitão Antonio Rodrigues Magalhães, cujo nome está ligado à história de Sobral pela doação feita ao patrimônio da matriz, a houvesse recebido de outrem.
Media ela uma légua de terra com meia de cada lado do rio Acaraú e limitava-se ao norte com a fazenda Macaco, onde residia o capitão Antonio Rodrigues Magalhães, e ao sul com as terras da fazenda Sobrado, de Manoel Nogueira Cardoso, casado com D. Francisca Ferreira Diniz.

Na fazenda Macaco, que media meia légua, estava a Lagoa da Fazenda, muito conhecida dos sobralenses, nas imediações do Seminário Diocesano. A linha divisória passava pouco abaixo do Teatro São João.

Possuía ainda o capitão a Pedra Branca, que depois pertenceu a José da Frota Vasconcelos, e mais sete quartos e meio da terra pegando das Marrecas pelo rio arriba e findando abaixo do Purpurema.

Mais tarde, por escritura pública de 4 de março de 1743, comprou a ele a D. Francisca Ferreira Diniz, então já viúva, sua posse de terras situadas no pé da Serra da Meruoca, e na qual morava Manoel Ribeiro Soares, por beneplácito e consentimento da vendedora na Ribeira do Acaraú, a qual havia pedido por sobras nas ilhargas da terra que hoje se acham vizinhas e místicas as terras e sítios da fazenda da Caiçara do dito comprador (Antonio Rodrigues Magalhães) cuja posse de terra lhe fora concedida no ano de 1728 pelo capitão-mor João Batista Furtado em nome de Sua Majestade.

Os limites dessa terra foram descritos nos autos do inventário de D. Quitéria Marques de Jesus, viúva do capitão Antonio Rodrigues Magalhães, do seguinte modo: “légua e meia, pouco mais ou menos de terras chamadas do pé da serra, que confronta da parte de cima e entesta com o Jaibaras de baixo, e da parte de baixo com a fazenda da Pedra Branca, cujo sítio foi do co-herdeiro Vicente Lopes Freire, que o havia trocado com a sua sogra, Quitéria Marques, por outro chamado “Córrego da Onça”, avaliado em duzentos mil réis. 

Origem do Topônimo

A palavra Caiçara, em linguagem indígena significa, segundo José de Alencar, “o que se faz de pau queimado”: - de cal “queimado”, e a desinência ara “que tem ou que faz”, anteposto o ç, por eufonia. Para Martius, é “pau de Jussara”: - de caa, pau, e Jussara, palmeira: ou “lugar silvestre que em certo tempo se queima”: - de cal, queimado e ara, tempo, Paulino Nogueira pensa que a verdadeira origem do vocábulo é uma corruptela de caai-ça: - “estacas de mato, estacada, trincheiras, tapume, cerca de pau” (vocabulário indígena). Ver. Do Instituto do Ceará, vol. 1º, pag. 239).

A etimologia de Alencar, assim como a de Martins, contraria o espírito da língua indígena (tupi) – observa Pompeu Sobrinho – pois cal não é queimada, e de Jussara não se passa a sara mutilando o tema do vocábulo. A interpretação de Paulino Nogueira é mais consentânea, e foi também adotada por Batista Caetano e por Teodoro Sampaio, para quem a Caiçara é a corruptela de caa-içara, a estavada , o tapume, o cercado, a trincheira, que é realmente a verdadeira”.



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