sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Estreia de Acordes do Passado (1956)

Esta fotografia foi tirada às 22 horas do dia 24 de fevereiro de 1956 na Rádio Iracema de Sobral.

No verso da foto está escrito "Temos em Pé da esquerda para direita: Osmar do saxofone, Carlos Patriolino, José Maria Soares, Zequinha Martins, Zé Wilson Brasil, Cordeiro Damasceno, José Frota, Inspetor Romeu, Lício Soares e Conrado. Sentados: Pedro Martins, Manoel Pedim, Luis Pedim, João Aurelino e Fransquinha".

Trata-se de uma foto rara de Luis Carlos Patriolino.

Do Facebook de Joscel Vasconcelos

Seleção Sobralense de Futebol de Salão



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Da direita para esquerda:
Em pê,: Leão, Maximino, Eimard, Luís Sampaio, Zé Gentil, Isquinha, Pinto e Sebastião Albuquerque
Agachados: Deci, Procópio, Metralha, Edilson Frota, Edilson Linha Fina e Tidim

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Origem do Bairro Gentilândia de Fortaleza




O bairro "Gentilandia" leva esse nome em homenagem ao sobralense Coronel Gentil. Seu nome completo é José Gentil Alves de Carvalho, nasceu em Sobral em 11 de setembro de 1867 e faleceu em 11 de março de 1941. Era filho de Antônio Alves de Carvalho e Francisca Cândida Vitorino de Menezes. 
Ficou órfão de pai aos 12 anos. Com a incumbência de sustentar sua família abriu, com os 10 contos que recebeu de herança, uma pequena loja de tecidos. 
Acabou se tornando bem sucedido no comércio e na venda de produtos agrícolas, acumulando riqueza. 
Casou-se em 1886 com Maria Amélia da Frota. Mudou-se para Fortaleza visando investir em negócios ligados à indústria, comércio e serviços.
Estabeleceu-se na nova cidade em 1893. Abdicou dos dois sobrenomes e assumiu o segundo nome próprio como nome de família. Abriu uma loja de tecidos em parceria com alguns parentes. 
Fundou, no mesmo ano, a firma “Frota & Gentil” juntamente com seu cunhado José Artur da Frota. Em 1917 o estabelecimento ganhou uma seção financeira, e em 1931 se tornou definitivamente um banco, o Banco Frota Gentil S.A., que funcionou até a década de 60. 
Gentil criou em 1934 a “Imobiliária José Gentil”, que passou a administrar seus negócios imobiliários. O Jornal cearense O Estado caracterizou o Banco e a Imobiliária como “duas das mais importantes organizações comerciais do Ceará”. Foi em vida o maior empresário e homem mais rico do Ceará.
Em 1909 adquiriu uma chácara na Avenida Visconde de Cauipe, no bairro Benfica onde ergueu em 1918 um belíssimo palacete para ser a sua residência. Assim, construiu uma espécie de império com seu próprio nome que utilizou para intitular sua família inteira. Chamou então seu domínio de Gentilândia.
Posteriormente a família Gentil implementou e abrigou toda a localidade. Em torno do palacete construiu vilas e ruas com residências de vários tamanhos e estilos, praças e áreas verdes.
Em 1955, a mansão e toda a sua localidade foi comprada pela Universidade Federal do Ceará e, apesar de que algumas construções deste império tenham sido demolidas, algumas ainda estão preservadas.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Beco do Cotovelo






Do facebook de Joscel Vasconcelos

No final do século XVIII, surgiram as primeiras casas no Largo do Rosário, construídas sem alinhamento, provocando uma visível irregularidade no traçado das primitivas ruas.

Aos poucos foram-se delineando as vias, que ligavam esse espaço urbano ao núcleo inicial da povoação de Caiçara, a Praça da Matriz.

Entre a Rua Velha do Rosário, hoje Cel. José Saboia, e a Rua Nova do Rosário, hoje Cel. Ernesto Deocleciano, foi aberto um beco interligando as duas vias: o Beco do Cotovelo nascia para facilitar o acesso dos pedestres entre as movimentadas ruas.

A ligação entre estas ruas formava um vértice em determinado ponto do seu percurso, motivo pelo qual seria chamado mais tarde de Becco do Cotovelo.
São aproximadamente 150 anos de história, ligada à tradição popular sobralense. Nos cem metros de extensão de peculiar traçado, reúnem-se no seu calçadão pessoas que querem não só negociar qualquer tipo de produto, mas, principalmente saber das últimas novidades da política, futebol, sociedade e discutir uma infinidade de assuntos que só a ocasião determina.

No Becco do Cotovelo encontram-se bares, restaurantes, loterias, vendedores ambulantes e uma banca onde são feitas apostas sobre os mais variados assuntos.

É considerado um dos locais mais pitorescos da Cidade, em virtude da comunicação fácil e variada dos cidadãos que para ali marcam encontro.

Foto Carlos Saboya

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A SAGA DA GARÇA-REAL






Por – Wilson Belchior


Há quem chame Sobral de, Cidade das Cenas Fortes. A acepção de forte aquí, refere-se aos fatos que nela ocorreram e a marcaram para sempre, como o que passarei a relatar.

No princípio dos anos 30 o sr. Falb Rangel construiu sua residência na Rua da Aurora, numa das esquinas da Praça da Meruoca. Querendo embelezar o jardim, chamou o artista sobralense, Pedro Frutuoso do Vale, para construir uma Garça-Real, que o artista criou com requinte.


Essa Garça-Real passou anos decorando o jardim de sua residência, sem entretanto chamar a atenção que Falb imaginara. Porém, quando ele se mudou para a nova casa, que construiu no Boulevard Dr. Guarany, não reservou local para o ornamento, e a colocou no ostracismo, guardando-a no depósito do porão.


Por essa época, o sr. Agripino Souza, construiu sua bela mansão, na Praça São Francisco, e sabedor do destino dado pelo Falb, à Garça-Real, dele a comprou, instalando-a no jardim, onde por anos permaneceu, enchendo Agripino de orgulho, por a Garça-Real melhorar a aparência de sua residência.


Contam em Sobral que, certa vez Agripino, estando no mercado fazendo compras, os cestos nos quais as compra colocara, ficaram pesados, o obrigando a contratar um menino carregador, para as levar até sua casa. Pagou para tal ao menino, que se encontrava com um amigo, e explicou-lhe para onde deveria levar as compras.


Explicou, várias vezes, sem o menino entender, até que o outro que com ele estava disse-lhe, não se preocupe Toínho, eu sei aonde é, é na Praça São Francisco, na “Casa da Ema”, e pegaram os cestos e com o dinheiro no bolso, saíram levando as compras.


A explicação do menino, deixou Agripino intrigado, ao ver a casa de sua família identificada, como a “Casa da Ema”. Decorrido certo tempo, o fato, como era de se esperar, caíu no Beco do Cotovelo, donde se irradiou pela cidade, ser a casa do Agripino Souza a “Casa da Ema”, passando assím a ser conhecida e chamada, por toda a população, para desassossego do Agripino.


Agripino de forma alguma aceitou a denominação, e pensou em quebrar a Garça-Real, que tanto prazer lhe dera, ou em tirará-la e guardá-la num porão, como fizera o Falb.


Não chegou a tanto, pois, visitando Chico Monte, no início dos anos 40, dele ouviu: Agripino, você que construíu uma bela mansão, que é conhecido na cidade como homem inteligente, poderia ajudar ao Vicente Antenor, como ocupar a área interna frente ao São João.


Agripino gostou da ideia, venda nela a oportunidade de se livrar da “Ema” que o perturbava. Pediu que a prefeitura contratasse seu Pedro Frutuoso, e os dois imaginaram e projetaram um lago espelho artificial, tendo em seu meio uma pequena ilha rochosa, onde pudesse a “Ema" ser instalada.


O projeto ficou maravilhoso, e até hoje é mantido da forma inicial, sendo a “Ema” um magnífico detalhe harmonico com a praça.


Porém, a saga da Garça-Real, ainda não terminaria, pois iria cair, nas mãos dos vândalos frequentados da Turma da Geral do São João, deseducadas, que não podendo construir, destroem, e a fúria deles voltou-se dessa vez, contra a “Ema” inocente.


No Cine São João, havia duas cafeterias, a da direita pertencia ao Bilicô e a da esquerda a seu Urias. Vendiam café fervido, bolos de milho, quebra queixo, cerveja, Guaraná-del-Rio, cocadas, coxinhas de galinha e outros petiscos. Quando chegava alguém e pedia água, mandavam ir beber no lago da “Ema”.
O Bilicô passou a reclamar que uma saca de açúcar, que dava para dois meses, não estava dando para duas semanas. Seu Urias que as garrafas de Guaraná-Del-Rio, segundo ele, mais caras que o próprio líquido, estavam desaparecendo.
Descobriram que no caso do Bilicô, a Turma da Geral roubava os açucareiros cheios de açucar e os devolviam cheios d’água do lago, pois, diziam querer adoçar as águas do lago da “Eminha”.


No caso do Urias, não devolviam as garrafas de guaraná que compravam, jogavam-as no lago, para no dia seguinte, apanhá-las e vender à própria cafeteria do Urias, onde as tinham roubadas.


Cientificada desses ocorridos, a Prefeitura de Sobral contratou um zelador de nome Lima, para cuidar da área, e ele dela cuidou com zelo, mais até que o esperado, para tristeza da Turma da Geral, que a desejava descuidada.


A limpeza era perfeita, o lago passou a refletir novamente as árvores adjacentes, e a bela imágem da “Ema”, a ponto da Turma da Geral inventar que seu Lima, havia pela "Ema" se apaixonado, e se tornara seu marido, pois, a banhava, tirava o lôdo de suas costas, deixado-a impecável.


A Turma da Geral passou a chamar seu Lima de “Marido da Ema”, fato que o aborrecia. Passaram-se anos, seu Lima faleceu, e no outro dia do enterro a “Ema” amanheceu com as azas cobertas de preto, e usando uma mantilha, colocados pela Turma da Geral, com o intuito de oficializar sua viuvez.
Finalmente tudo se acalmou.
- Acalmou-se?
- Ainda não!


Em 1958, o Pe. Palhano elegeu-se Prefeito de Sobral. Logo depois, num gesto de razões duvidosas, talvez insano, resolveu transferir o Zoológico da Betânia, para as proximidades da “Ema”. Para tal construiu jaulas, na perimetral que a circundava, deixando aberta apenas o lado que dava para a frente do São João.


A “Ema” durante parte dos anos 60, ficou quase toda encoberta pelas jaulas desse projeto sem razão e sem sentido, que não caiu no gosto dos sobralenses, razão pela qual, nos mesmos anos sessenta, as jaulas foram removidas, os animais doado às faculdades e circos, enquanto Pe. Palhano foi merecidamente cassado, pelo Regime Militar, perdeu seus direitos políticos, por pactuar com a irresponsabilidade e a corrupção.




Desde esse tempo acabou-se a Saga da Garça-Real, que durou mais de 35 anos. Hoje a Ema da Praça São João, é um detalhe marcante, cheio de história, e continua a alegrar à todos aqueles que passam ou visitam o belo e acolhedor logradouro de Sobral.


Viva a Ema da Praça São João.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

ARCO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA






Informações de Joscel Vasconcelos

Situado no Boulevard Pedro I, hoje Av. Dr. Guarany, o Arco de Nossa Senhora de Fátima é um dos monumentos que mais caracterizam a Cidade.

No local, existia o Cruzeiro das Almas, erguido por iniciativa do missionário Frei Vidal da Penha, como símbolo de fé, na sua passagem por Sobral, no final do século XVIHaroldo Braga O Arco de Fátima representa o símbol principal de Sobral; O Cristo Redentor tbm, mas como se localiza em uma área rodeada por pobreza vive abandonado. Caro Jocel, por favor, faça um matéria sobre o nosso Cristo Redentor Sobralense!
II.

Frei Vidal de Fraccardo veio do Convento da Penha, de Recife, para Sobral em 1797, para pregar Missões, tendo incentivado os fiéis a construir a Igreja de Nossa Senhora das Dores.

A Cruz das Almas foi demolida em 1929 pelo Prefeito José Jácome de Oliveira.
Por iniciativa de Dom José, o Arco de Nossa Senhora de Fátima foi construído em 1953, na administração do Prefeito Antônio Frota como marco da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Brasil, tendo Sobral como ponto de visitação.

Projetado por Falb Rangel, o Arco de Nossa Senhora de Fátima foi executado pelo engenheiro construtor Valdemar Washington, ficando para o sobralense Francisco Frutuoso do Vale a autoria da imagem de Nossa Senhora que o encima.Na construção foram utilizados 93 mil tijolos.

Não obstante o somatório de anos que marca a sua existência, o Arco sobralense ainda é chamado por alguns de “Arco do Triunfo”, por sua ligeira aparência com o monumento francês.




domingo, 29 de abril de 2018

PRAÇA DO TEATRO SÃO JOÃO




Antes da construção das duas alas da avenida que compõem hoje, o povo fazia footing no espaço compreendido do começo da rampa do Boulevard Dom Pedro II. (hoje Av. Dr. Guarany) até próximo a casa à esquina da casa da D. Nana Figueiredo. Não existia calçamento no local. Mesmo assim o movimento era acentuado, mormente às quintas, sábados e domingos e em noite de luar.

A construção da ala que fica ao lado da igreja Menino Deus antecedeu a da outra que fica em frente ao teatro. Aquela se tornou imediatamente o ponto de afluência da população, muito especialmente por ocasião do novenário natalino. 

A outra ala ficou por muito tempo desativada e protegida por uma cerca de arame farpado. O povo pedia ao prefeito que concluísse logo a construção dessa Segunda fase, não só por ser de interesse urbano, mas, sobretudo, por exigência dos frequentadores do cine-teatro São João. 

Felizmente a prefeitura atendeu aos anseios da população, e, tão logo foi inaugurada a ala, a elite elegeu-a como privativa, ficando a outra destinada a empregadas domesticas e outras classes modestas, numa discriminação social feita natural e pacificamente, sem controvérsia.

Em 1939, toda a movimentação daquelas noites agradáveis, era animada pelo serviço de som, então já em pleno funcionamento, da Coluna Rádio Imperator, do Sr. Falb Rangel. As 18 hs. a Imperator dava inicio a sua programação, tocando uma marcha característica, e em seguida eram anunciados os filmes do dia. Logo em seguida ouviam-se as mais belas musicas do cancioneiro nacional.

Quando havia novena nas igrejas circunvizinhas, logo que estas terminavam o pessoal jovem dirigia-se para a Praça São João e ia voltear na avenida que fica em frente ao teatro. 

O local era designado pela sociedade para a pratica de uma atividade lúcida tão antiga quanto a própria humanidade: a paquera. Flertava-se de duas maneiras: ou se ficava parado aguardando a passagem da preferida, ou então se ia também passear, mas no sentido contrário, porque a cada volta o paquerante se encontrava duas vezes. Quando o flerte já estava consolidado, o casal procurava a ponta do passeio que termina em triângulo, apontando para o palácio do Bispo (hoje o Museu Diocesano), onde havia menos gente e a luz era mais discreta. Depois que o namoro já estava oficializado, o par ia dar voltas na outra parte da avenida e sentava-se num dos bancos ali existentes.

Terminada a sessão de cinema das seis horas, a avenida tomava um novo alento. As pessoas mais idosas que se encontravam nos bancos da avenida dirigiam-se para o Cine São João, a fim de assistirem a sessão das 7h30min.. Um dos bancos constituía uma verdadeira cadeira cativa. Era o que ficava em frente ao teatro. Ocupavam-no, Euripedes Ferreira Gomes, Hércilio Lopes, Ataliba Barreto, Waldemar Lira, Antônio Lima, Raul Monte e outros.

As nove horas o serviço de alto-falante da Rádio Imperator encerrava a sua programação do dia irradiando “The stars and stripes forever”(as estrelas e faixas sempre, quer dizer, a bandeira dos Estados Unidos, conhecidíssima marcha militar de Jonh Phillip). Aos primeiros acordes da marcha, o povo começava a abandonar a avenida sem esperar o fim da característica musical. Nesta ocasião dizia-se que havia “soltado a onça”.

Quem descia a Rua Senador Paula (hoje Av. Dom José), chegando ao sobrado do sr. Radier Frota, tinha de descer a calçada, já que ela estava tomada por uma famosa rodinha de jovens comandado por Safira Frota, onde se comentavam a vida social da cidade, brigas de namorados e outros assuntos naturais da juventude da alta roda sobralense. Aquelas reuniões foram desfrutadas por muito tempo, adquirindo foros de tradição.

As pessoas adictas a leitura de jornais iam esperar o ônibus na Agência Vicente Bento, para adquiri-los. No lado direito da porta de entrada do cinema havia um modesto cafezinho. Era uma saleta cortada ao meio por um tosco balcão e semi-escurecida por uma fraca lâmpada elétrica presa a um fio engrossado por excrementos de moscas. A parte de fora, obviamente, era destinada a clientela; a outra era ocupada pela administração. A direita, um fogareiro sempre aceso, um conjunto de prateleiras onde estavam algumas carteiras de cigarros “Yolanda” e “Odalisca”, vendidas respectivamente a R$ $ 400 e R$ 1$000 (quatrocentos e mil Réis, receptivamente), o material necessário a feitura do café e uma caixa de fósforos. Do lado esquerdo havia um enorme pote de água cujas paredes externas já apresentavam sinais visíveis de lodo, guardados por dois rotundos e sonolentos cururus. Dali saia a água para o serviço e para os clientes. Era retirada por meio de uma caneca de folha de flandres, de bordos circundados por agressivos dentes, para evitar que algum freguês pouco afeito a higiene tentasse beber diretamente nela. Dotada de comprido cabo do mesmo material, para permitir que a água fosse retirada com mais facilidade, era cuidadosamente pendurada num prego ficando pouco acima do pote, avista do freguês, a certifica-lo do principio da higiene. Pregada na parede da direita, havia uma tabuleta contendo os nomes dos devedores relapsos, a quem a casa não mais servia, a não ser que resgatasse a divida.

Após o cinema, o pequeno espaço ficava superlotado por pessoas a espera de que lhe fosse servido o famoso cafezinho, uns deliciosos tijolinhos de leite, lingüiça com farofa, paçoca com arroz, avoante e um delicioso bate-bate de maracujá – as especialidades da casa.

Era seu proprietário Antônio Urias, conhecido como “Buchinho”, de estrutura baixa e excessivamente neurastênico. Alguns clientes gostavam de vê-lo irritado. No fim do expediente, “Buchinho”, já tendo ingerido várias doses de pinga, não tolerava que pedissem um tijolinho de leite acompanhado de um copo de água. Um certo cliente habitual fazia-o freqüentemente.

· “Pé-de-Grelha” (era o ajudante), baixa um tijolinho de leite e um copo d’água!
Satisfeito, o freguês começava a roê-lo demoradamente. E haja água, “Buchinho” continha-se a duras penas. Mas um dia explodiu de si para si: ”Ah, fi duma égua pra beber água!!!”.

Num belo dia chegou o freguês hidrófilo e fez o tradicional pedido. “Buchinho” não se conteve: mandou “Pé-de-Grelha” servir o tijolinho acompanhado logo de 10 copos d’água.