domingo, 26 de abril de 2020

Igrejas de Sobral: história, arquitetura e religião



O nascimento de Sobral data ainda do século XVII, quando, na Fazenda da Caiçara, foi construída a Matriz da Caiçara. Ao seu redor começaram a surgir diversas moradias, nas imediações de onde, hoje, fica a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Posteriormente, já no século XVIII, foram construídas na região a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Igreja Matriz, que acabaram se tornando polos de povoamento da cidade.
"O desenho urbano de Sobral se definiu a partir das malhas inspiradas pela implantação dessas duas igrejas. A junção dessas duas malhas tem como resultado, inclusive, o Beco do Cotovelo, a formação do núcleo urbano mais antigo da cidade", detalha Romeu Duarte, arquiteto, urbanista, cronista do O POVO, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) e autor do livro Sítio Histórico de Sobral - Monumento Nacional.
Segundo Duarte, Sobral é uma cidade que deve a sua existência aos ciclos econômicos do gado, do algodão e também, de uma forma muito forte, à religião católica. “Sem a religião, Sobral não teria a importância que tem hoje. As igrejas têm um papel fundamental na história da cidade”, afirma. Nesse cenário, o arquiteto destaca a atuação de dom José Tupinambá da Frota, figura que além de ter sua importância na educação e na política da Cidade, teve forte presença no desenho urbano de Sobral e colocou o catolicismo como um dos pontos centrais da Cidade.
Hoje, o município tem em seu desenho inúmeras igrejas, que não só fizeram parte do desenho urbano do município, como fizeram de Sobral a cidade com maior número de igrejas por metro quadrado no Estado. Carregadas de histórias e significados para os sobralenses, as igrejas já são também pontos de turismo e valem a visita para quem deseja conhecer suas arquiteturas de estilos variados. Saiba um pouco mais sobre algumas delas.
ALEX COSTA
Igreja de São Francisco
01 - Santuário de São Francisco
Onde: praça Deputado Francisco Monte, Viaduto São Francisco, s/n - Centro
Quando: 1945
Arquitetura: a igreja apresenta arquitetura com detalhes que se assemelham aos de construções medievais. As muitas aberturas permitem um alto grau de iluminação e ventilação.
História: por iniciativa do Português Francisco Rodrigues dos Santos, a Capela foi construída em 1870 e concluída em 1898, na antiga Praça da Constituição. Após a demolição da antiga capela, a atual igreja foi construída, em outubro de 1945. Sua inauguração foi realizada no período do Congresso Diocesano das Vocações do Jubileu Sacerdotal de Dom José Tupinambá da Frota, em 1955.
Curiosidade: o alto grau de ornamentação da igreja e seu grande porte fazem com que o edifício se destaque na paisagem urbana de Sobral, com suas altas torres podendo ser vistas de vários pontos da cidade.
ALEX COSTA
Igreja do Menino Deus
02 - Igreja do Menino Deus
Onde:
 rua Jornalista Deolindo Barreto, 159 - Centro
Quando: década de 1810
Arquitetura: seu projeto demonstra grande ligação com o da Igreja Matriz, apresentando fachada com características similares. Embora já tenha passado por mudanças, ainda guarda imagens originais e exibe no forro um baixo relevo em talha policromada, de caráter popular, representando a Sagrada Família em Fuga para o Egito.
História: a Capela do Menino Deus e o convento anexo foram construídos, com ajuda da generosidade das famílias sobralenses, por duas irmãs carmelitas, que chegaram a Sobral em 1810, junto às Freiras de Ordem Terceira das Carmelitas Emerenciana de Sant'Ana e Teresa de Jesus. “Também é uma igreja de muita influência, os sobralenses são muito devotos à figura do Menino Deus”, destaca Romeu Duarte.
Curiosidade: após seu falecimento, as fundadoras foram sepultadas no espaço do tempo.
ALEX COSTA
Igreja do Patrocínio
03 - Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio
Onde:
 praça Oswaldo Rangel, n° 5, Centro
Quando: sua construção data de 1885, foi concluída em 1900, e elevada à condição de matriz em 1916 por Dom José Tupinambá Da Frota
Arquitetura: com linhas neoclássicas, é marcada por uma torre central única e é repleta de aberturas em todas as suas fachadas.
História: com a movimentação popular em torno da recém-inaugurada Estação Ferroviária de Sobral, em 1882, surgiu a ideia de edificar-se, no novo bairro, uma capela em honra de Nossa Senhora do Patrocínio. Construída em 1885, numa elevação de terreno, a capela mor foi benta na presença das famílias sobralenses que muito contribuíram com doações, com destaque para o coronel Francisco Fernando Pereira Mendes.
Curiosidade: muitos consideram a edificação semelhante à primitiva Igreja do Coração de Jesus, em Fortaleza.
ALEX COSTA
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
04 - Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Onde:
 praça da Sé, 110 - Centro
Quando: a pedra fundamental da atual matriz foi lançada em 2 de novembro de 1778
Arquitetura: influência da escola tardo-barroca (ou rococó), com o uso de elementos como: o movimento ondulatório da cornija, os frontões altos, tratados como formas escultóricas independentes e os coroamentos bulbosos das torres, entre outros.
História: construída no período em que Sobral já se eleva a Vila – próxima do local onde ficava a primeira igreja da cidade, a Matriz da Caiçara – a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi uma das igrejas que serviram como polo de povoamento para a futura Sobral.
Curiosidade: considerado um dos mais bonitos do Ceará, seu frontispício é formado por um pórtico comarco de pedraria lavrada em lioz, importada de Portugal, e portas com almofadas destacadas. “Muitos dizem que ela é a igreja mais bela do Ceará”, conta Romeu Duarte.
ALEX COSTA
Igreja Nossa Senhora das Dores
05 - Igreja de Nossa Senhora das Dores
Onde:
 rua das Dores, Centro
Quando: embora não se tenha registro da data de construção, sabe-se que existia em 1818
Arquitetura: neoclássica, em sua maioria. Sua torre única e lateral, por ter sido construída em 1924, não segue o estilo neoclássico de seus elementos de fachada.
História: sua construção deu origem ao terceiro bairro da Vila Distinta e Real de Sobral.
Curiosidade: a construção foi um dos únicos edifícios antigos da área cuja implantação, ainda que parcialmente, aceitou voltar-se para o Rio Acaraú. Sua face norte fica voltada para a Rua das Dores, enquanto a sul se volta para a margem esquerda do Rio Acaraú.
ALEX COSTA
Igreja Nossa Senhora do Rosário
06 - Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Onde:
 rua do Rosário, 220 - Centro
Quando: 1767
Arquitetura: destaque para as tribunas laterais típicas do século XVIII, que foram retiradas em 1926, em uma reforma feita pelo bispo Dom José, que também mudou o piso de tijolos por ladrilhos hidráulicos. Entre 1941e 1942 foi reformado o altar mor conforme projeto do italiano Agostinho Balmes Odisio.
História: igreja mais antiga de Sobral, foi construída em 1767 pela irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, para substituir o nicho de taipa que antes usado como homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Em 1914, o então vigário geral Pe. José Tupinambá da Frota fez algumas modificações em sua estrutura, com as ampliações laterais.
Curiosidade: no período da festa de Nossa Senhora do Rosário, era comemorada a coroação dos reis do Congo, nome dado aos festejos. A última vez que festa foi realizada em Sobral foi em janeiro de1889. Após a abolição da escravatura, os negros continuaram a tradição do Reisado Africano por algum tempo. Até hoje, a igreja ainda é conhecida como Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretinhos, por sua relação histórica com os escravos.
O POVO NORTE 12/01/2017 

sábado, 25 de abril de 2020

Padre Doutor José Palhano de Saboia




José Palhano de Saboia nasceu em Crateús (CE) em 1922, filho de Júlio de Saboia e de Maria de Jesus Palhano de Saboia.
Foi seminarista em Sobral e pupilo predileto do bispo Dom José, o qual o adotara como se fora filho. Essa aproximação rendeu ao padre muitas oportunidades, dentre elas a de estudar em Roma.
A criançada de 1958 jamais esqueceu a imagem do padre, fosse nos palanques, quando candidato a prefeito, pilotando motos, dirigindo jipões alemães, fazendo voos rasantes em seu avião. Ele era uma espécie de herói que protegia as crianças contra os males do comunismo.
Sacerdote de grande atuação no norte do Ceará, iniciou sua carreira política ao se eleger prefeito do município de Sobral (CE) em 1958, derrotando o “coronel” Chico Monte e seu poderoso grupo político.
Por assumir posições que muitas vezes contrastavam com o sacerdócio, foi acusado pelos católicos ortodoxos de Sobral de pecar contra sua condição religiosa. Durante o governo João Goulart (1961-1964), obteve a concessão da Rádio Tupinambá de Sobral.
No pleito de outubro de 1962, foi eleito deputado federal pelo Ceará na legenda da União pelo Ceará, que reunia o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). Assumiu sua cadeira em fevereiro de 1963 e posteriormente transferiu-se para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). 
Após o movimento político-militar de março de 1964, teve seu mandato cassado em 13 de junho seguinte com base no Ato Institucional nº 1, sendo obrigado a abandonar a Câmara.
Em novembro de 1976, foi suspenso de ordens por ter acusado o bispo de Sobral, dom Valfrido Teixeira, de acobertar o furto de imagens do Museu Diocesano Sobralense. Em março do ano seguinte, manifestou ao arcebispo de Fortaleza, cardeal Aluísio Lorscheider, seu desejo de reintegrar-se à Igreja.
O prefeito José Parente Prado o homenageou com fazendo a doação de terrenos para a formação do bairro Padre Palhano, um dos maiores pontos de concentração da Cidade.
Faleceu em Fortaleza no dia 18 de maio de 1982.

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Anais; CÂM. DEP. Deputados; GIRÃO, R. Ceará; IstoÉ (26/5/ 82); Jornal do Brasil (20/3/77 e 19/5/82); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6).

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Estreia de Acordes do Passado (1956)

Esta fotografia foi tirada às 22 horas do dia 24 de fevereiro de 1956 na Rádio Iracema de Sobral.

No verso da foto está escrito "Temos em Pé da esquerda para direita: Osmar do saxofone, Carlos Patriolino, José Maria Soares, Zequinha Martins, Zé Wilson Brasil, Cordeiro Damasceno, José Frota, Inspetor Romeu, Lício Soares e Conrado. Sentados: Pedro Martins, Manoel Pedim, Luis Pedim, João Aurelino e Fransquinha".

Trata-se de uma foto rara de Luis Carlos Patriolino.

Do Facebook de Joscel Vasconcelos

Seleção Sobralense de Futebol de Salão



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Da direita para esquerda:
Em pê,: Leão, Maximino, Eimard, Luís Sampaio, Zé Gentil, Isquinha, Pinto e Sebastião Albuquerque
Agachados: Deci, Procópio, Metralha, Edilson Frota, Edilson Linha Fina e Tidim

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Origem do Bairro Gentilândia de Fortaleza




O bairro "Gentilandia" leva esse nome em homenagem ao sobralense Coronel Gentil. Seu nome completo é José Gentil Alves de Carvalho, nasceu em Sobral em 11 de setembro de 1867 e faleceu em 11 de março de 1941. Era filho de Antônio Alves de Carvalho e Francisca Cândida Vitorino de Menezes. 
Ficou órfão de pai aos 12 anos. Com a incumbência de sustentar sua família abriu, com os 10 contos que recebeu de herança, uma pequena loja de tecidos. 
Acabou se tornando bem sucedido no comércio e na venda de produtos agrícolas, acumulando riqueza. 
Casou-se em 1886 com Maria Amélia da Frota. Mudou-se para Fortaleza visando investir em negócios ligados à indústria, comércio e serviços.
Estabeleceu-se na nova cidade em 1893. Abdicou dos dois sobrenomes e assumiu o segundo nome próprio como nome de família. Abriu uma loja de tecidos em parceria com alguns parentes. 
Fundou, no mesmo ano, a firma “Frota & Gentil” juntamente com seu cunhado José Artur da Frota. Em 1917 o estabelecimento ganhou uma seção financeira, e em 1931 se tornou definitivamente um banco, o Banco Frota Gentil S.A., que funcionou até a década de 60. 
Gentil criou em 1934 a “Imobiliária José Gentil”, que passou a administrar seus negócios imobiliários. O Jornal cearense O Estado caracterizou o Banco e a Imobiliária como “duas das mais importantes organizações comerciais do Ceará”. Foi em vida o maior empresário e homem mais rico do Ceará.
Em 1909 adquiriu uma chácara na Avenida Visconde de Cauipe, no bairro Benfica onde ergueu em 1918 um belíssimo palacete para ser a sua residência. Assim, construiu uma espécie de império com seu próprio nome que utilizou para intitular sua família inteira. Chamou então seu domínio de Gentilândia.
Posteriormente a família Gentil implementou e abrigou toda a localidade. Em torno do palacete construiu vilas e ruas com residências de vários tamanhos e estilos, praças e áreas verdes.
Em 1955, a mansão e toda a sua localidade foi comprada pela Universidade Federal do Ceará e, apesar de que algumas construções deste império tenham sido demolidas, algumas ainda estão preservadas.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Beco do Cotovelo






Do facebook de Joscel Vasconcelos

No final do século XVIII, surgiram as primeiras casas no Largo do Rosário, construídas sem alinhamento, provocando uma visível irregularidade no traçado das primitivas ruas.

Aos poucos foram-se delineando as vias, que ligavam esse espaço urbano ao núcleo inicial da povoação de Caiçara, a Praça da Matriz.

Entre a Rua Velha do Rosário, hoje Cel. José Saboia, e a Rua Nova do Rosário, hoje Cel. Ernesto Deocleciano, foi aberto um beco interligando as duas vias: o Beco do Cotovelo nascia para facilitar o acesso dos pedestres entre as movimentadas ruas.

A ligação entre estas ruas formava um vértice em determinado ponto do seu percurso, motivo pelo qual seria chamado mais tarde de Becco do Cotovelo.
São aproximadamente 150 anos de história, ligada à tradição popular sobralense. Nos cem metros de extensão de peculiar traçado, reúnem-se no seu calçadão pessoas que querem não só negociar qualquer tipo de produto, mas, principalmente saber das últimas novidades da política, futebol, sociedade e discutir uma infinidade de assuntos que só a ocasião determina.

No Becco do Cotovelo encontram-se bares, restaurantes, loterias, vendedores ambulantes e uma banca onde são feitas apostas sobre os mais variados assuntos.

É considerado um dos locais mais pitorescos da Cidade, em virtude da comunicação fácil e variada dos cidadãos que para ali marcam encontro.

Foto Carlos Saboya

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A SAGA DA GARÇA-REAL






Por – Wilson Belchior


Há quem chame Sobral de, Cidade das Cenas Fortes. A acepção de forte aquí, refere-se aos fatos que nela ocorreram e a marcaram para sempre, como o que passarei a relatar.

No princípio dos anos 30 o sr. Falb Rangel construiu sua residência na Rua da Aurora, numa das esquinas da Praça da Meruoca. Querendo embelezar o jardim, chamou o artista sobralense, Pedro Frutuoso do Vale, para construir uma Garça-Real, que o artista criou com requinte.


Essa Garça-Real passou anos decorando o jardim de sua residência, sem entretanto chamar a atenção que Falb imaginara. Porém, quando ele se mudou para a nova casa, que construiu no Boulevard Dr. Guarany, não reservou local para o ornamento, e a colocou no ostracismo, guardando-a no depósito do porão.


Por essa época, o sr. Agripino Souza, construiu sua bela mansão, na Praça São Francisco, e sabedor do destino dado pelo Falb, à Garça-Real, dele a comprou, instalando-a no jardim, onde por anos permaneceu, enchendo Agripino de orgulho, por a Garça-Real melhorar a aparência de sua residência.


Contam em Sobral que, certa vez Agripino, estando no mercado fazendo compras, os cestos nos quais as compra colocara, ficaram pesados, o obrigando a contratar um menino carregador, para as levar até sua casa. Pagou para tal ao menino, que se encontrava com um amigo, e explicou-lhe para onde deveria levar as compras.


Explicou, várias vezes, sem o menino entender, até que o outro que com ele estava disse-lhe, não se preocupe Toínho, eu sei aonde é, é na Praça São Francisco, na “Casa da Ema”, e pegaram os cestos e com o dinheiro no bolso, saíram levando as compras.


A explicação do menino, deixou Agripino intrigado, ao ver a casa de sua família identificada, como a “Casa da Ema”. Decorrido certo tempo, o fato, como era de se esperar, caíu no Beco do Cotovelo, donde se irradiou pela cidade, ser a casa do Agripino Souza a “Casa da Ema”, passando assím a ser conhecida e chamada, por toda a população, para desassossego do Agripino.


Agripino de forma alguma aceitou a denominação, e pensou em quebrar a Garça-Real, que tanto prazer lhe dera, ou em tirará-la e guardá-la num porão, como fizera o Falb.


Não chegou a tanto, pois, visitando Chico Monte, no início dos anos 40, dele ouviu: Agripino, você que construíu uma bela mansão, que é conhecido na cidade como homem inteligente, poderia ajudar ao Vicente Antenor, como ocupar a área interna frente ao São João.


Agripino gostou da ideia, venda nela a oportunidade de se livrar da “Ema” que o perturbava. Pediu que a prefeitura contratasse seu Pedro Frutuoso, e os dois imaginaram e projetaram um lago espelho artificial, tendo em seu meio uma pequena ilha rochosa, onde pudesse a “Ema" ser instalada.


O projeto ficou maravilhoso, e até hoje é mantido da forma inicial, sendo a “Ema” um magnífico detalhe harmonico com a praça.


Porém, a saga da Garça-Real, ainda não terminaria, pois iria cair, nas mãos dos vândalos frequentados da Turma da Geral do São João, deseducadas, que não podendo construir, destroem, e a fúria deles voltou-se dessa vez, contra a “Ema” inocente.


No Cine São João, havia duas cafeterias, a da direita pertencia ao Bilicô e a da esquerda a seu Urias. Vendiam café fervido, bolos de milho, quebra queixo, cerveja, Guaraná-del-Rio, cocadas, coxinhas de galinha e outros petiscos. Quando chegava alguém e pedia água, mandavam ir beber no lago da “Ema”.
O Bilicô passou a reclamar que uma saca de açúcar, que dava para dois meses, não estava dando para duas semanas. Seu Urias que as garrafas de Guaraná-Del-Rio, segundo ele, mais caras que o próprio líquido, estavam desaparecendo.
Descobriram que no caso do Bilicô, a Turma da Geral roubava os açucareiros cheios de açucar e os devolviam cheios d’água do lago, pois, diziam querer adoçar as águas do lago da “Eminha”.


No caso do Urias, não devolviam as garrafas de guaraná que compravam, jogavam-as no lago, para no dia seguinte, apanhá-las e vender à própria cafeteria do Urias, onde as tinham roubadas.


Cientificada desses ocorridos, a Prefeitura de Sobral contratou um zelador de nome Lima, para cuidar da área, e ele dela cuidou com zelo, mais até que o esperado, para tristeza da Turma da Geral, que a desejava descuidada.


A limpeza era perfeita, o lago passou a refletir novamente as árvores adjacentes, e a bela imágem da “Ema”, a ponto da Turma da Geral inventar que seu Lima, havia pela "Ema" se apaixonado, e se tornara seu marido, pois, a banhava, tirava o lôdo de suas costas, deixado-a impecável.


A Turma da Geral passou a chamar seu Lima de “Marido da Ema”, fato que o aborrecia. Passaram-se anos, seu Lima faleceu, e no outro dia do enterro a “Ema” amanheceu com as azas cobertas de preto, e usando uma mantilha, colocados pela Turma da Geral, com o intuito de oficializar sua viuvez.
Finalmente tudo se acalmou.
- Acalmou-se?
- Ainda não!


Em 1958, o Pe. Palhano elegeu-se Prefeito de Sobral. Logo depois, num gesto de razões duvidosas, talvez insano, resolveu transferir o Zoológico da Betânia, para as proximidades da “Ema”. Para tal construiu jaulas, na perimetral que a circundava, deixando aberta apenas o lado que dava para a frente do São João.


A “Ema” durante parte dos anos 60, ficou quase toda encoberta pelas jaulas desse projeto sem razão e sem sentido, que não caiu no gosto dos sobralenses, razão pela qual, nos mesmos anos sessenta, as jaulas foram removidas, os animais doado às faculdades e circos, enquanto Pe. Palhano foi merecidamente cassado, pelo Regime Militar, perdeu seus direitos políticos, por pactuar com a irresponsabilidade e a corrupção.




Desde esse tempo acabou-se a Saga da Garça-Real, que durou mais de 35 anos. Hoje a Ema da Praça São João, é um detalhe marcante, cheio de história, e continua a alegrar à todos aqueles que passam ou visitam o belo e acolhedor logradouro de Sobral.


Viva a Ema da Praça São João.