sexta-feira, 24 de julho de 2015

Missões de Frei Vidal da Penha




Vários missionários percorreram as regiões do Acaraú, mas nenhum deles logrou maior fama do que Frei Vidal de Frescarolo, italiano, vulgarmente conhecida por Frei Vidal da Penha, assim chamado por ser frade do Convento da Penha em Recife.
Depois de ter feito missões nesta região em 1785, regressou novamente a Fortaleza, onde chegou em dezembro de 1796, e ai abriu as santas missões. No ano seguinte, no mês de setembro pregou em Sobral, seguindo depois, em outubro, para Meruoca, demorando-se por 20 dias.
As missões pregadas pelo célebre capuchinho e missionário apostólico nunca foram esquecidas, tornando-se lendárias as profecias a ele atribuídas, segundo as quais a Praça da Matriz de Sobral ainda havia de ser “cama de tubarões”.
Grande devoto e propagandista do culto das Dores de Maria Santíssima, talvez nunca tenha influído na construção do pequeno nicho de Nossa Senhora das Dores, que já existia antes de 1818.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

As primeiras habitações



Ao redor da Matriz e, mais tarde, da capela do Rosário sugiram as primeiras casas da povoação, geralmente baixas e quase sempre de tijolos e cobertas de telhas, e pertenciam a pessoas de boa linhagem, das quais descende grande parte dos habitantes de Sobral.

Os bairros da Matriz e do Rosário formavam dois pequenos centros de atividade, que poço a pouco foram se desenvolvendo até que se uniram mediante o aparecimento de novas ruas.

Como não havia naquele tempo a preocupação do urbanismo, resultou disso a irregularidade da edificação, sem alinhamento e sem estética, sobretudo nas adjacências das citadas igrejas.
No começo do século XIX começaram a surgir casas melhores até mesmo de sobrados de boa aparência.

Notava o ouvidor Carvalho, que em 1815 só havia em Sobral um sobrado, edificado à Rua Velha do Rosário (atual Cel. José Sabóia) em 1914, pelo coronel José Inácio Gomes Parente.

Detrás da Matriz era a casa de Gregório Francisco de Torres Vasconcelos, que foi professor de Latim e teve larga projeção social nas terras da Caiçara.

Diziam os antigos que na mesma rua funcionara durante muito tempo a Câmara Municipal, que tempos depois transferiu sua sede para o local onde surge o palacete da Prefeitura.

Depois da Praça da Matriz, o trecho mais antigo da cidade é a Rua das Dores, chamada Rua do Rio, depois Rua de Nossa Senhora do Bom Parto, até se tornar Rua Padre Fialho.

Na Rua do Rio tinha a sua casa de residência o coronel Francisco Ferreira da Ponte, filho do coronel Gonçalo Ferreira da Ponte, tronco dessa família no Ceará. Estava ela numa esquina, à direita de quem vindo da Praça da Matriz  vai à capela das Dores.

Quando o capitão Antonio Rodrigues Magalhães passou em 1756 a escritura de doação de cem braças de cada lado da igreja, excetuou alguns chãos dentre os quais o da casa do coronel Francisco Ferreira da Ponte, seu amigo.

Em seguida vem a Rua do Rosário (Rua Velha do Rosário), atual Coronel José Sabóia, e a Rua Nova denominada Rua Coronel Campelo, que construiu ali um sobrado defronte da igreja do Rosário, atual Rua Ernesto Deocleciano.

A Fazenda Caiçara - Berço de Sobral




Dom José em suas pesquisas, não descobriru quem fora o primeiro proprietário da fazenda Caiçara, porém tudo leva a crer que o seu possuidor capitão Antonio Rodrigues Magalhães, cujo nome está ligado à história de Sobral pela doação feita ao patrimônio da matriz, a houvesse recebido de outrem.
Media ela uma légua de terra com meia de cada lado do rio Acaraú e limitava-se ao norte com a fazenda Macaco, onde residia o capitão Antonio Rodrigues Magalhães, e ao sul com as terras da fazenda Sobrado, de Manoel Nogueira Cardoso, casado com D. Francisca Ferreira Diniz.

Na fazenda Macaco, que media meia légua, estava a Lagoa da Fazenda, muito conhecida dos sobralenses, nas imediações do Seminário Diocesano. A linha divisória passava pouco abaixo do Teatro São João.

Possuía ainda o capitão a Pedra Branca, que depois pertenceu a José da Frota Vasconcelos, e mais sete quartos e meio da terra pegando das Marrecas pelo rio arriba e findando abaixo do Purpurema.

Mais tarde, por escritura pública de 4 de março de 1743, comprou a ele a D. Francisca Ferreira Diniz, então já viúva, sua posse de terras situadas no pé da Serra da Meruoca, e na qual morava Manoel Ribeiro Soares, por beneplácito e consentimento da vendedora na Ribeira do Acaraú, a qual havia pedido por sobras nas ilhargas da terra que hoje se acham vizinhas e místicas as terras e sítios da fazenda da Caiçara do dito comprador (Antonio Rodrigues Magalhães) cuja posse de terra lhe fora concedida no ano de 1728 pelo capitão-mor João Batista Furtado em nome de Sua Majestade.

Os limites dessa terra foram descritos nos autos do inventário de D. Quitéria Marques de Jesus, viúva do capitão Antonio Rodrigues Magalhães, do seguinte modo: “légua e meia, pouco mais ou menos de terras chamadas do pé da serra, que confronta da parte de cima e entesta com o Jaibaras de baixo, e da parte de baixo com a fazenda da Pedra Branca, cujo sítio foi do co-herdeiro Vicente Lopes Freire, que o havia trocado com a sua sogra, Quitéria Marques, por outro chamado “Córrego da Onça”, avaliado em duzentos mil réis. 

Origem do Topônimo

A palavra Caiçara, em linguagem indígena significa, segundo José de Alencar, “o que se faz de pau queimado”: - de cal “queimado”, e a desinência ara “que tem ou que faz”, anteposto o ç, por eufonia. Para Martius, é “pau de Jussara”: - de caa, pau, e Jussara, palmeira: ou “lugar silvestre que em certo tempo se queima”: - de cal, queimado e ara, tempo, Paulino Nogueira pensa que a verdadeira origem do vocábulo é uma corruptela de caai-ça: - “estacas de mato, estacada, trincheiras, tapume, cerca de pau” (vocabulário indígena). Ver. Do Instituto do Ceará, vol. 1º, pag. 239).

A etimologia de Alencar, assim como a de Martins, contraria o espírito da língua indígena (tupi) – observa Pompeu Sobrinho – pois cal não é queimada, e de Jussara não se passa a sara mutilando o tema do vocábulo. A interpretação de Paulino Nogueira é mais consentânea, e foi também adotada por Batista Caetano e por Teodoro Sampaio, para quem a Caiçara é a corruptela de caa-içara, a estavada , o tapume, o cercado, a trincheira, que é realmente a verdadeira”.



terça-feira, 14 de julho de 2015

As primeiras imagens da Matriz





A primeira imagem venerada na Matriz era apenas um coração circundado de espinhos, encimado por uma cruz (VER SE ESTÁ NO MUSEU), entre chamas, posando sobre uma haste de madeira dourada. Mais tarde a S. Congregação dos Ritos, por decreto de 12 de setembro de 1857 proibiu a exposição desse símbolo à veneração dos fieis. 

A segunda imagem de madeira, de 75 centímetros de altura, foi substituída em 1875 por outra esculpida por Firmino da Silva Amorim; ambas estão hoje conservadas no Museu Diocesano. Essa segunda mede 97 centímetros de altura.

A atual imagem, que se venera nesse altar, foi benta e exposta ao culto público no dia 23 de janeiro de 1910.

Eis como um jornal da época, “O Rebate”, cujo diretor era o hábil jornalista Vicente Loiola, em sua edição de 22 de janeiro de 1910, descreveu a chegada dessa imagem.

“Em carro especial ligado ao horário, chegou segunda-feira, 17 de janeiro, a belíssima imagem do Sagrado Coração de Jesus, mandada vir de Paris pelo nosso ilustre vigário Padre Dr. José Tupinambá da Frota.

Festiva foi a recepção à imagem de Jesus. A gare da estação da estrada de ferro se achava repleta de senhoras e de cavalheiros que foram assistir à chegada do trem que conduzia o vulto imponente do Sagrado Coração de Jesus.

As 11h45 chegou à estação o comboio que vinha embandeirado, e que foi recebido debaixo de aclamações e ao som do Hino Nacional. Desembarcada a imagem, formou-se um grande préstito, que seguiu para a nossa Matriz. Ali, conhecendo o padre Dr. Tupinambá a ansiedade do povo para ver a imagem, deu ordens para o desencaixotamento e exposição da mesma.

Foi um verdadeiro delírio, quando apareceu o vulto imponente do Sagrado Coração de Jesus! O povo entusiasmado ergueu inúmeros vivas ao Sagrado Coração de Jesus! No dia da bênção houve missa solene pela manhã e suntuosa procissão com a dita imagem à tarde.


Tela da Última Ceia




Em março de 1883 o capitão João de Matos Amaral, residente nesta cidade, ofereceu uma tela de óleo, da autoria de José Ferreira Lemos, sobralense, representando a Última Ceia, para ser colocado por detrás do altar. Não é obra original e sim cópia da gravura de um Velho Missal, que se conserva no Museu Diocesano.
Sobre essa tela assim se exprimiu Antonio Bezerra de Menezes, no seu livro “Notas de Viagem” (1889), pag. 256: “é digno de ver-se o quadro do pintor cearense. Apreciei devidamente a atitude dos personagens, e, sobretudo, o efeito da luz, que se derrama de uma lâmpada, presa no teto sobre o busto de cada um.
“Não tem tanta sombra da escola holandesa, e pelo contrário é sensível a impressão de doçura, de intimidade, de paz que reina naquele grupo de amigos. Em qualquer outra parte o Sr. Lemos seria apreciado à medida do seu talento, no entanto, entre nós passa despercebido, e não teve ainda quem lhe dissesse que dispõe de aptidão e gosto, e que, se pudesse frquentar a escola dos mestres honraria o nome da terra que o viu nascer.

Quem vê os seus trabalhos e sabe que não teve princípios, mas que aprendeu sem mestres a sublime arte de Rafael, não sabe o que admirar mais: se a vocação ou a força de vontade”.

Sobre o pintor José Ferreira Lemos nasceu em Sobral; filho de Francisco José de Lemos e Geracina Zefirina de Lemos. Casou-se na mesma cidade com Ana Carolina de Aguiar, viúva de Antonio  Pereira de Aguiar, a 8 de dezembro de 1876.
Desgostoso por motivos íntimos retirou-se para o Pará, de onde seguiu depois para o Amazonas. Vivera aí alguns anos, deixando vários trabalhos de pintura a óleo, representando paisagens daquela imensa e riquíssima região.

O Altar de São Miguel
Por ofício datado de 27 de abril de 1862, o tenente Antonio Januário Linhares requereu à Mesa Regedora da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição licença para erigir um altar em honra do arcanjo São Miguel, sendo-lhe concedida com a condição de ser em tudo igual ao do Sagrado Coração de Jesus.

Mais tarde o bispo Dom José Tupinambá, a requerimento da Pia União das Filhas de Maria, reorganizada a 3 de março de 1917, concedeu que fosse colocada nesse altar a imagem de Santa Inês, padroeira da dita Pia União, oferecida pelo mesmo prelado, o que se verificou a 26 de dezembro de 1924. A antiga imagem de São Miguel foi recolhida ao Museu Diocesano.

As torres
Começaram a ser levantadas em 1836, conformem a deliberação da Mesa Regedora da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, na sessão de 1º de maio daquele ano; deliberou que com a possível brevidade desse princípio aprontar os materiais a fim de principiar com o andamento das torres da Matriz.

Foi muito lento o serviço. A do nascente ficou concluída em 1849 e a do poente em 1851.
Atingidas mais de uma vez por faíscas elétricas foram restauradas novamente.

O Patamar
Foi feito em 1838, por deliberação da Irmandade, na sessão de 19 de dezembro de 1837. O pavimento de tijolos de barro foi substituído por ladrilhos de mosaicos em 1941, por ocasião da remodelação geral da Catedral.

O Relógio
Foi comprado em Paris em 1870 e colocado na torre do poente no ano seguinte. A lembrança da aquisição desse relógio partiu do Dr. Vicente Alves de Paula Pessoa, quando juiz da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Lê-se na ata da sessão de 5 de junho de 1865, que o ilustre sobralense lembrou a idéia de se promover uma subscrição para compra de um relógio para ser colocado em uma das torres da Matriz.

Deliberou a Mesa que fosse nomeada a comissão para haver esmola para a compra do relógio, a qual foi composta dos senhores  padre mestre Antonio da Silva Fialho, Domingos Bessa Guimarães e o capitão Jeronymo José Figueira de Melo. (Livro das Actas, fl 13v).

Parece que a comissão não tomou a peito a incumbência e a ideia ficou sem execução, tanto assim, que a Mesa Regedora da Confraria de Nossa Senhora da Conceição enviou, em fevereiro de 1867, um ofício à Irmandade do Santíssimo Sacramento pedindo o concurso dessa a fim de obter a aquisição de um relógio oficial, que tivesse de ser colocado em uma das torres da Igreja.

Tomando na devida consideração esse apelo, o presidente da Mesa Regedora da Irmandade do Santíssimo Sacramento nomeou para tal fim uma comissão composta dos irmãos José Cesário Ferreira da Costa, Raimundo Lopes Cavalcante e Antonio Francisco de Paula para de comum acordo com a comissão nomeada pela Mesa da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição promover os meios de fazer efetiva aquisição do referido relógio.

Havia certa ciumeira entre as duas irmandades. Várias questiúnculas indispunham os ânimos dos irmãos do Santíssimo Sacramento contra os seus colegas da Confraria de Nossa Senhora da Conceição, porque diziam aqueles, estes se arrogavam excepcionais regalias e privilégios.

Muito se esforçou pela aquisição do relógio o Sr. Tito Francisco Aleluia da Silva, natural de Paraíba, nascido em 1823 e falecido em Fortaleza a 30 de julho de 1883.
A Municipalidade de Sobral concorreu com Trezentos Mil Réis. 
Nota – Antes desse relógio havia no frontispício da igreja um relógio do sol, pelo qual se regia a população.

As Portas da Fachada
Datam de 1856 e foram feitas em Sobral.

O Cruzeiro de Ferro
Foi fabricado pelo ferreiro sobralense Alexandre Luis da Costa e foi oferecido pelo tenente coronel João Evangelista da Frota. Foi bento pelo vigário Vicente Jorge de Sousa a 24 de dezembro de 1884.



A Pia Batismal
A atual Pia foi preparada em Fortaleza, na Marmoraria Maia por 500 réis, e comprada pelo vigário em 1908, para substituir a primeira e tosca pia de pedra, de forma octogonal, adquirida pelo vigário José Gonçalves de Medeiros, em 1808, na Paraíba, donde ele era natural, pelo preço de 20.000 réis. A pia se encontra conservada no Museu Diocesano.

O Painel da Capela-Mor
A tela de óleo que representa a cena do lago de Tiberíades, quando Jesus, tendo exigido de Pedro a declaração de que o amava mais do que os outros, confiou-lhe o múnus de apresentar as suas ovelhas e os seus cordeiros. (Jo. XI. 15). É obra do afamado pintor romano Orestes Monacelli.

Encomendada pelo vigário, pedido do coronel José Figueira de Sabóia e Silva, que ofereceu à Matriz, foi esta tela benta a 29 de junho de 1912, pelo bispo auxiliar do Ceará, Dom Manoel da Silva Gomes, então bispo titular de Mopsuéstia (Turquia), por ocasião de sua visita pastoral em Sobral.  Custou dois contos de réis (dois mil cruzeiros). Antes da Missa Pontifical celebrada naquele dia o dito prelado procedeu a cerimônia de benção.

A Sacristia do Poente
Só em 1883 levantaram-se as paredes da sacristia do lado do poente. Nesse sítio havia um terreno murado, chamado de “curral dos ossos”, onde se lançavam as ossadas extraídas das sepulturas da igreja. Era o objeto da curiosidade, e não raro, das irreverências da meninada daquele tempo.

O Púlpito
O elegante púlpito da Catedral é obra do hábil entalhador José Joaquim de Araújo, segundo o modelo desenhado por José Lemos.
 

Sino Grande
Foi refundido em Pernambuco nas oficinas de Mesquita & Dutra, em 1853, e logo remetido para Sobral, um dos mais sonoros que se conhecem. Encarregou-se do negócio o tenente coronel João Tomé da Silva, mais tarde comendador, com o que despendeu inclusive o frete até Sobral (167 cruzeiros). A porca foi feita em Sobral e custou  Cr$ 94,65. Data desse mesmo ano a escada para a torre do nascente.

A Tela da Última Ceia
Em março de 1883 o capitão João de Matos Amaral, residente nesta cidade, ofereceu uma tela de óleo, da autoria de José Ferreira Lemos, sobralense, representando a Última Ceia, para ser colocado por detrás do altar. Não é obra original e sim cópia da gravura de um Velho Missal, que se conserva no Museu Diocesano.

Sobre essa tela assim se exprimiu Antonio Bezerra de Menezes, no seu livro “Notas de Viagem” (1889), pag. 256: “é digno de ver-se o quadro do pintor cearense. Apreciei devidamente a atitude dos personagens, e, sobretudo, o efeito da luz, que se derrama de uma lâmpada, presa no teto sobre o busto de cada um.

“Não tem tanta sombra da escola holandesa, e pelo contrário é sensível a impressão de doçura, de intimidade, de paz que reina naquele grupo de amigos. Em qualquer outra parte o Sr. Lemos seria apreciado à medida do seu talento, no entanto, entre nós passa despercebido, e não teve ainda quem lhe dissesse que dispõe de aptidão e gosto, e que, se pudesse frequentar a escola dos mestres honraria o nome da terra que o viu nascer. Quem vê os seus trabalhos e sabe que não teve princípios, mas que aprendeu sem mestres a sublime arte de Rafael, não sabe o que admirar mais: se a vocação ou a força de vontade”.
Sobre o pintor 

José Ferreira Lemos nasceu em Sobral; filho de Francisco José de Lemos e Geracina Zefirina de Lemos. Casou-se na mesma cidade com Ana Carolina de Aguiar, viúva de Antonio  Pereira de Aguiar, a 8 de dezembro de 1876.

Desgostoso por motivos íntimos retirou-se para o Pará, de onde seguiu depois para o Amazonas. Vivera aí alguns anos, deixando vários trabalhos de pintura a óleo, representando paisagens daquela imensa e riquíssima região.

A Imagem de Nossa Senhora da Conceição
Foi esculpida no Porto, e de lá veio ainda no tempo do padre João Ribeiro Pessoa, que a encomendou para a nova Matriz.

É uma bela e artística imagem de madeira, ricamente decorada, e que foi restaurada nos anos 1859 e 1904.

Foi substituída por outra de carton-pierre em 1912, achando-se a antiga na Catedral e é a que se leva nas procissões.

A Lâmpada de Prata
Foi comprada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento em 1847, inaugurada no dia da bênção à Capela, no dia 22 de junho de 1848. Foi encomendada por intermédio do irmão coronel José Sabóia, e custou quinhentos e setenta e nove mil, trezentos e vinte reis.

O Presépio
O Presépio, que se admiram na Catedral, foi encomendado pelo vigário padre José Tupinambá da Frota à Casa Raph, de Paris, em 1912, e bento a 25 de dezembro do mesmo ano, antes da Missa de Natal. Custou três mil, trezentos e cinqüenta e nove cruzeiros e oitenta centavos (Cr$ 3.359,80), incluindo o frete até Sobral.

A Capela em que se acha instalado o presépio, foi preparada em dezembro de 1948, quando o bispo diocesano mandou abrir um arco e colocar uma grade de ferro.

O dinheiro





O dinheiro só muito escassamente circulava, porque ainda perdurava o regime dos escambos, mercadorias por mercadorias, e pagamentos em gêneros dos serviços e salários.

Em açúcar é que o ouvidor Mendes Machado recebeu, em 1733, por intermédio do seu procurador, a quantia de 606$570, que lhe devia de ordenados a Fazenda Real, e somente depois da ordem régia de 10 de fevereiro de 1744 as côngruas dos padres passaram a ser efetivadas em moeda. Em mercadorias continuava a pagar-se a infantaria do presídio.

Recolhidos em espécie eram os impostos – dízimos, quintos e fintas, assim como em farinha os vencimentos dos mestres das escolas das aldeias (criadas pela ordem de 13 de setembro de 1768), à razão de um alqueire, anualmente, para cada rapaz ou rapariga que as frequentasse, não sendo, entretanto, obrigado cada chefe de família a contribuir com mais de dois alqueires, se para elas mandasse mais de dois alunos.

A farinha se faltasse seria substituída por gêneros alimentícios.

As boiadas vendidas para as Capitanias vizinhas voltavam mudadas em panos e armarinhos de procedência portuguesa, e também em escravos, o mesmo acontecendo com o comércio dos bufarinheiros, que revolviam os sertões vendendo os seus artigos a troco de bois e cavalgaduras.

História de Sobral - Dom José

Curiosidades de Sobral


Fábrica de Tecidos

No local onde surge a fábrica de tecidos, inaugurada em julho de 1895, havia um rochedo de pedras graníticas, em que se viam pintados com tinta vermelha sinais hieroglíficos, rostos humanos e outras figuras. Aí, segundo velha tradição, feriu-se encarniçado combate entre um grupo de índios e soldados portugueses, e os tapuias existentes no vale do Acaraú.

Escavações procedidas por nós no leito da Lagoa da Fazenda e suas adjacências demonstraram que em épocas remotas existia um riacho, vindo do pé da Serra da Meruoca, e passando pela frente do atual prédio do Seminário Diocesano, rumo ao Acaraú. Com efeito, após uma camada homogênea de massapê de quatro metros de espessura, encontram-se sempre areia grossa alvíssima e seixos roliços, tal qual se vê no leito dos rios.

A Oeste da velha fazenda projeta-se na distância de alguns quilômetros a Serra da Meruoca, antigamente chamada de Beruoca, com os seus píncaros verdejantes e suas linhas sinuosas, de um lindo azul escuro, formando um empolgante panorama, digno do pincel de artista.

Quase em continuação surge à esquerda a Serra do Rosário, separada apenas por um boqueirão fertilíssimo e abundante d’água, onde nos tempos calamitosos das secas se refugiam e escapavam centenas de cabeças de gado vacum e cavalar. Ambas estas serras foram sempre o inesgotável celeiro de Sobral.

Foi justamente na fazenda Caiçara que o visitador Lino Gomes Correia descansou em julho de 1742, vindo da povoação de São José, hoje Patriarca, em demanda do Riacho Guimarães, e resolveu fosse ai a sede do Curato do Acaraú, por ser mais ou menos o seu centro.

Não foi difícil conseguir o terreno para a igreja, pois o capitão Antonio Rodrigues Magalhães prontificou-se a cedê-lo de boa vontade, e assim ficou definitivamente determinada a sede do Curato, berço da atual opulenta cidade de Sobral.

História de Sobral - Dom José

Aspectos da Terra




Árvores seculares cobriam a região. Cedros, aroeiras, pau d’arco, freijó, pau branco, oiticicas, carnaubeiras, sabiás, umburanas, Arapiraca, pereiros e muitas outras madeiras de lei formavam o rico tesouro de uma fibra exuberante, quase desaparecida hoje, protegendo o solo com a frescura de suas sombras, entre as quais vagueavam inúmeros representantes de nossa fauna, tais como: onças, gatos maracajás, raposas, guaxinins, capivaras, pacas, veados, caititus, macacos, cotias, e um sem números de aves de toda espécie como emas, seriemas, cericórias, papagaios, jacus, maracanãs, araras, jandaias, periquitos, jaçanãs, etc. além de variados tipos de pássaros de lindas e variadas cores, como sejam cupidos, graúnas, corrupiões, canários, cabeças vermelhas ou galos de campina, sanhaçus, bem-te-vis, pintassilgos, etc.

Pela margem do rio e a beira das lagoas, garças, jaçanãs, socós, guarás, marrecas e patos selvagens viam-se a cada passo.
O rio Acaraú (rio das Garças) era então mais estreito. No decurso de anos foi se alargando seu leito, do lado direito, onde as ribanceiras foram pouco a pouco desmoronando, o que ainda em nossos dias se verifica.

Lagoa da Fazenda Macacos
Na fazenda Caiçara havia várias lagoas como a do Feijão, a do Junco e outras, hoje inteiramente aterradas.

A Lagoa da Fazenda era muito mais profunda e as suas águas conservavam-se de um inverno a outro, sendo aquele sítio preferido pela rapaziada do tempo para os deliciosos banhos. A lâmina d’água ainda no começo do século XIX era de mais de dois metros, conforme ouvimos de vários velhos que por experiência conheciam aquelas amenas paragens, tão aprazíveis pelos seus juncos, pacovais e aguapés. 
Encravada na Fazenda dos Macacos, residência do Coronel Antônio Rodrigues Magalhães e de sua mulher Quitéria Marques de Jesus, a Lagoa da Fazenda foi inicialmente cortada pela Estrada da Bethânia, construída por Dom José para dar acesso ao Seminário Diocesano.

Por muitos anos, a Lagoa permaneceu sendo ponto de lazer dos habitantes de Sobral, que vinham se beneficiar da amena aragem do lugar e contemplar os perfumados aguapés.

Na gestão do Prefeito Jerônimo Prado, foi feita na Lagoa a canalização para escoamento dos esgotos. Com o considerável aumento de ligações clandestinas, a Lagoa sofreu um processo de poluição.

Durante o Governo Tasso Jereissati, 1987-1990, foram iniciadas obras de recuperação, saneamento e urbanização da Lagoa, transformada em Parque Ecológico pelo Dec. Nº 21.303/91, de 11 de março de 1991. O PARQUE ECOLÓGICO DA LAGOA DA FAZENDA foi inaugurado em outubro de 1993, no Governo Ciro Gomes. Ocupa uma área de 19,2 hectares e possui o ginásio poliesportivo Plínio Pompeu de Saboya Magalhães, administrado pela UVA, com capacidade para 2 mil pessoas, um bosque, área de lazer com restaurantes, playground, pista de cooper, quadra de esporte aberta e espelho d’água natural da Lagoa da Fazenda.

Hoje está muito aterrada e geralmente seca entre novembro e dezembro.

História de Sobral - Dom José