quinta-feira, 25 de março de 2021

Sobral é referência para a história do Ceará

 


Fortaleza. “A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós”. A frase da escritora inglesa Jane Austen talvez seja a melhor definição para o município de Sobral, localizado a 230 quilômetros da cidade de Fortaleza e considerada a mais importante da região da Zona Norte do Estado do Ceará.


Sobral é uma cidade que, por suas características aristocráticas e monumentos um tanto inusitados (como o Arco de Nossa Senhora de Fátima, erigido em 1953, quando da passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima por Sobral) gera uma série de mitos sobre si e seus habitantes.

A história de Sobral, que detém o singelo título de “Princesa do Norte”, é bem mais antiga e complexa. De acordo com o historiador e padre Francisco Sadoc de Araújo, a ocupação das terras compreendidas entre o Rio Acaraú e a Serra da Meruoca acompanha o típico processo de colonização do interior do Nordeste.

 Conforme ele explica, “O Vale do Acaraú é a segunda maior bacia do Ceará, e naquele período era impossível ocupar o sertão sem ter a garantia de uma fonte de água próxima. A proximidade da serra era um atrativo a mais, já que de lá se podia obter frutos, o que já era feito pelos indígenas que ali viviam, predominantemente os Jês”.

Sesmarias

 


Segundo ele, a região foi dividida em sesmarias, concedidas a portugueses que deveriam ocupar as terras do Novo Mundo. “Teve o Manoel Goes, que perdeu parte das sesmarias por não tê-las ocupado. Ele trabalhava com a criação de gado e trouxe os parentes para cá. Mas foi Félix da Cunha Linhares, no fim do século XVII, que construiu a capela de São José da Mutuca, a primeira da região”. Sadoc de Araújo explica que capelas e igrejas eram outro importante fator de ocupação, já que era na porta dos templos que os juízes afixavam avisos importantes e, ainda, ao redor delas que os moradores formavam as primeiras aldeias.

Igreja Matriz

 


Por volta de 1720, o sesmeiro Antônio Rodrigues Magalhães formou, na região onde hoje fica Sobral, a Fazenda Caiçara. Fixado inicialmente em Suipé (município de São Gonçalo do Amarante), ele se instala posteriormente na fazenda e doa terreno para a construção de uma igreja em honra à Nossa Senhora da Conceição, que daria origem à Igreja Matriz de Sobral e cuja santa será, também, a padroeira da cidade.

Com o aumento do número de comunidades na Colônia, o rei português, Dom José I, no ano de 1760, lança um edital para que qualquer povoação que alcançasse 50 fogos pudesse se tornar uma vila. “Fogos eram as casas que possuíam cozinha e, portanto, chaminé, sinal de que a família estava ali fixada”, esclarece o historiador. Assim, no dia 5 de julho de 1773, a comunidade formada em torno da Fazenda Caiçara é elevada à vila, chamada de Vila Distinta e Real de Sobral.

“Sobral foi uma das poucas vilas que tinham esse título de Distinta, dado a locais onde só havia brancos”, recorda. Já o nome de Sobral significa abundância de sobreiros, uma árvore de Portugal de cujo tronco se extrai a cortiça, utilizada para engarrafar vinhos e outras bebidas. “Para mim o nome vem da região portuguesa de Sobral da Lagoa, em Portugal, como uma homenagem à terra de muitos dos colonizadores”.

Fidelíssima



Em 1841, Sobral recebe o título de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú, por ter dado apoio político ao então presidente da província do Ceará, José Martiniano de Alencar (pai do escritor José de Alencar), contra uma tentativa de deposição. Porém, três anos depois, a cidade volta a se chamar Sobral.



É a partir do século XIX que Sobral ganha destaque econômico e cultural. Além do proeminente comércio, a cidade fez parte da chamada “civilização do couro”, exportando o produto por meio do Porto de Camocim. É por conta desse comércio que é instalada a primeira estrada de ferro do Ceará. Na segunda metade do século XIX, o desenvolvimento de Sobral chegava a superar o de Fortaleza. “Era pelo Porto de Camocim que chegavam as novidades da Europa, e Sobral experimentava tudo isso primeiro”, comenta o historiador e padre Francisco Sadoc de Araújo.

As famílias mais abastadas tinham acesso à “última moda”: porcelanas, lustres, vestidos, livros, pianos, máquinas de costura, entre outros. Os sobrados eram construídos seguindo a arquitetura de Recife e São Luís, com janelões e azulejos. Em 1877, as corridas de cavalos à moda londrina têm lugar no Jockey Club de Sobral, depois chamada de Derby Club. “Apesar de não ser aceito, este foi o primeiro jockey club do Brasil”.

Atualmente, Sobral se destaca pelo comércio e pela indústria, que fornece produtos como cimento e calçados. O período áureo de abastança já se foi, mas a cidade mantém a aura de imponência e orgulho de sua trajetória e realizações. “Não é uma questão de bairrismo, e sim de orgulho. O sobralense tem essa coisa de sempre tentar ser melhor em tudo. Pode até não ser o melhor, mas se esforça para ser. Mas o fato é que a cidade sempre teve um papel hegemônico, não é problema de vaidade”, defende o historiador Sadoc de Araújo.

 

Karoline Viana

Repórter

A Memorável Passagem do Zeppelin por Sobral

 

Zeppelin máquina voadora em Sobral nos anos 40

Era menino quando um majestoso balão dirigível despontou nos céus de Sobral, mais ou menos de 45 a 46. A cidade ficou oficialmente parada para olhar essa passagem rara já que uma multidão se aglomerava nas calçadas. Ele voava baixo e lento. O Graf Zepepelin é de origem alemã e a primeira vez que esteve no Brasil foi em 1930. Somente duas cidades brasileiras Recife e Rio tinham uma torre apropriada para receber o pouso do Zeppelin. Ainda hoje Recife preserva a torre de amarração e o hangar do Rio de Janeiro que serviram às operações dos balões dirigíveis alemães na década de 1930...

Comentário de Aldemir Arruda.

Como era o Zeppelin



A principal característica do projeto Zeppelin era uma estrutura de metal rígido coberta com tecido. Essa estrutura consistia, na maioria das vezes, de duralumínio e era composta por anéis transversais e barras longitudinais contendo uma série de cavidades de ar individuais.

Como era o Zeppelin por dentro






Os dirigíveis eram equipados com camas para que os passageiros pudessem descansar, além de sala de estar, bar, restaurante e um salão de fumo. A mobília era produzida com os materiais mais leves possíveis, para que as aeronaves não ultrapassassem o peso máximo para poder voar.





Os dirigíveis surgiram no início do século 20 como opção às longas viagens de navio e eram capazes de atingir velocidades máximas de 135 quilômetros por hora. Pode parecer incrivelmente lento comparado ao que aviões comerciais de hoje em dia são capazes de alcançar, mas as imensas aeronaves permitiam que as viagens da Europa à América do Norte fossem reduzidas de semanas para 53 a 78 horas e para 43 a 61 horas do continente americano ao europeu.

As operações transatlânticas do Hindenburg tiveram início em outubro de 1928, com viagens entre Frankfurt (Alemanha) e Lakehurst (New Jersey, nos EUA). Em 1931 começaram os trajetos entre a Alemanha e Recife e Rio de Janeiro, com um total de 136 voos à América do Sul até 1937, quando aconteceu o devastador incêndio que destruiu a aeronave e pôs um fim à era dos dirigíveis.

Na ocasião, havia 97 pessoas a bordo, entre tripulação e passageiros, e 36 morreram no desastre. O que aconteceu? O dirigível havia sido projetado para voar com o uso de gás hélio, mas, com as restrições impostas à Alemanha nazista para exportar o material, a aeronave vinha sendo preenchida com hidrogênio, que é altamente inflamável.

O salão do restaurante tinha por volta de 15 metros de comprimento por 4 de largura e era decorado com papel de parede retratando as viagens do Hindenburg à América do Sul.

A história da Luz em Sobral

 


No princípio da povoação da Vila que deu origem a Sobral, a iluminação das casas se dava com velas feitas de cera de carnaúba ou de abelha. As lamparinas eram acesas com óleo de peixe, até o surgimento do querosene. Não havia iluminação em ruas, e isso tornava o espaço celeste o grande atrativo com suas galáxias brilhantes.

Anos depois, já com a Vila em expansão, por ocasião de acontecimentos importantes, como a Aclamação do Imperador, casamento ou nascimento de príncipes reais da Casa Reinante, a Câmara Municipal, que à época tinha a mesma importância das prefeituras de hoje, costumava decretar três dias de luminárias públicas, das seis às nove horas da noite, como sinal de regozijo da população, que era educada no respeito, afeto e obediência ao Soberano, a quem dava o tratamento de  El-Rei Nosso Senhor.

Em todas as casas à altura das vergas das portas e janelas, entre umas e outras, colocavam-se lampiões com uma vela ou de cera de abelha ou de carnaúba, e todas as famílias tinham tais pequenos lampiões, em número suficiente para essas ocasiões.

Num tempo em que não havia iluminação pública, era um espetáculo singular e agradável ver todas as casas ostentando as suas pobres luminárias, e a população a percorrer as ruas cheia de entusiasmo e alegria.

A última vez que se fizeram em Sobral tais luminárias foi a 13 de maio de 1888, por motivo da abolição da escravidão no Brasil.

Nas primeiras décadas do século XX. Velas de sebo, cera de carnaúba e parafina tinham larga penetração, especialmente entre os segmentos modestos da população, que não dispunham dos recursos necessários à instalação residencial de energia fosse a gás ou elétrica, primeiras fontes modernas de energia. Além de mais baratos, esses objetos apresentavam uma fatura artesanal, de manejo menos complexo se comparado àquele exigido para o uso adequado do gás e da força elétrica.



A história retratada no Museu Dom José

O primeiro bispo de Sobral, Dom José Tupinambá da Frota, quando pensou o Museu, que hoje seu nome, queria contextualizar e materializar a estória da Luz em Sobral. Assim, reuniu peças que vão desde as rústicas velas de cera aos sofisticados lustres de cristal.

Fundado oficialmente por Dom José Tupinambá da Frota em 29 de março de 1951, o Museu possui um valioso acervo adquirido entre os anos de 1916 e 1959. Dom José recolheu peças em Sobral, e outras regiões do Ceará, do Maranhão, do Pará e do Amazonas chegando, atualmente, a compor um acervo com mais de 30.000 peças, além de uma coleção numismática com 20.394 moedas.

O Museu Dom José possui coleções de porcelana, cristal, imaginária, mobiliário, paleontologia, etnologia, arqueologia, armaria, numismática, indumentária, ourivesaria, iconografia, adereços e acessórios. É uma instituição ligada à arte, nacional e europeia, dos séculos XVII, XVIII e XIX. Hoje é considerado o maior Museu do Ceará e um dos maiores do Brasil em Arte-Sacra e Arte Decorativa, tornando-se assim, um magnífico painel da história social de Sobral e municípios norte-cearenses.



O papel de Ernesto Deocleciano na história da energia sobralense

Ernesto Deocleciano

Ernesto Deocleciano de Albuquerque, como cotonicultor e exportador de algodão, em 1879, em resposta a uma solicitação do Presidente da Província, José Júlio de Albuquerque Barros, instalou o primeiro sistema de iluminação pública de Sobral, com base na utilização de lampiões contendo gás “globo” ou “nafta” (AMARAL, 1949).

Em 19/03/1879, em carta confidencial, o Presidente da Província do Ceará, José Júlio de Albuquerque Barros, propõe à Câmara de Sobral que se faça uso de gás “globo” ou “nafta”, que seria, segundo ele, mais moderno que o querosene, para iluminar logradouros públicos naquela cidade (ARAÚJO, 1983).

Para viabilizar sua proposta, José Júlio (o futuro Barão de Sobral) fez o governo provincial adquirir 200 lampiões, providos de receptáculos para o armazenamento de gás, e 100 latas de gás “globo” ou “nafta” e pediu ele a cooperação do Cel. Ernesto Deocleciano para conseguir 200 postes de aroeira ou de outra madeira de lei, nas matas de suas terras, nos quais deveriam ser acoplados os lampiões (IBIDEM).

Seis dias depois de ter recebido a carta do Presidente da Província, em 25/03/1879, a Câmara de Sobral firma contrato, no valor de 14 contos de réis, com Ernesto Deocleciano, para que ele realize a primeira tentativa, na cidade, de iluminação pública com gás “globo” (IBIDEM).

Em 17/10/1879, a título de experiência, é iluminada, com gás “globo”, à frente da residência do Cel. Ernesto Deocleciano, que se situava na Rua do Campelo (atual Rua Ernesto Deocleciano), em frente à Praça do Mercado (atual Praça Dr. José Saboya) (IBIDEM).

Segundo Amaral (1949), após essa experiência, começaram os trabalhos de assentamento dos postes nos lugares em que se supôs mais úteis. O critério adotado, no entanto, conforme esse autor, não deu bom resultado, pois variando a distância de um poste a outro, a iluminação se mostrou ineficiente. Além do que, o gás “globo” não se mostrou tão adequado como se esperava.

Apesar dessas deficiências, a cidade de Sobral somente, em 1895, teria um novo sistema de iluminação pública implantado. Esse sistema seria inaugurado, naquele ano, pelo Intendente Alfredo Marinho de Andrade, ainda fazendo uso de muitos dos antigos postes, assentados por Ernesto Deocleciano, e de muitos dos antigos lampiões sustentados por eles, que passaram a consumir querosene (IBIDEM).

Vale salientar que Sobral acompanhou com bom desempenho a evolução da sistema de energia, uma vez que a cidade de Caxias do Sul (RS), também passou a ter iluminação a querosene somente em 1895, tal qual Sobral.

O primeiro sistema de energia elétrica se deu com a instalação de uma central termoelétrica, contudo, para uso exclusivo da Companha de Fiação e Tecidos Ernesto Deocleciano, autorizada pelo Poder Executivo Federal, Decreto nº 27753 de 31/01/1950. (D.O.U. 01/02/1950). À época o presidente do Brasil era Eurico Gaspar Dutra.

Chegada da Energia Elétrica em Sobral


Em 16 de setembro de 1960 era criada a CENORTE - Companhia Centro-Norte de Eletrificação do Ceará, pelo então governador do Estado do Ceará José Parsifal Barroso, empresa também de economia mista, cujo volume acionário era em sua quase totalidade do Governo Estadual. Esta, pelo fato de não dispor de energia abundante, muito pouco fez nos seus primeiros anos de existência. Em muitos dos municípios do interior cearense, onde existia o serviço de energia elétrica as próprias prefeituras o realizava por administração direta, a partir de pequenos e precários grupos geradores, dentro de horários restritos, geralmente das 18 às 22h00min.


Sobral finalmente passa de dispor de uma estação própria de armazenamento de energia, através do Decreto nº 53163 de 11/12/1963 / PE - Poder Executivo Federal - (D.O.U. 12/12/1963), autorizando a Companhia de Eletrificação Centro Norte do Ceará, - CENORTE - a construir linha de transmissão entre a usina hidrelétrica do açude Araras, no município de Reriutaba e a sede do município de Sobral, no Estado do Ceará. Era presidente do Brasil João Goulart.

Energia da Chesf/Coelce

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - CHESF, subsidiária das Centrais Elétricas Brasileiras S/A - ELETROBRÁS - foi criada pelo Decreto Lei n.º 8.031, de 03 de outubro de 1945, e constituída na 1ª Assembléia Geral de Acionistas, realizada em 15 de março de 1948. É uma sociedade de economia mista, aberta, sendo seu maior acionista o Governo Federal, através da Eletrobrás que detém 100 % do seu capital votante. É uma empresa de serviços públicos com contas a prestar à sociedade brasileira.

Foi a partir da Chesf, trazendo energia de Paulo Afonso, que o interior do Ceará passou a dispor de energia em abundância e a dar maior impulso ao seu desenvolvimento, notadamente o industrial.

A Companhia de Eletricidade do Ceará (COELCE) foi criada em 30 de agosto de 1971 por meio da Lei Estadual nº. 9.477 de 5 de julho de 1971, a partir da unificação de quatro empresas de distribuição de energia elétrica, então existentes no Estado do Ceará: Companhia de Eletricidade do Cariri (CELCA), Eletrificação Centro-Norte do Ceará (CENORT), Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza (CONEFOR) e Companhia de Eletrificação do Nordeste (CERNE).


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

 


Por Artemísio da Costa e Thiago Alves:

                                                   MESTRE JOÃO PAIVA




Atualmente ele é pouco conhecido e já quase esquecido na cidade, o que é uma lástima. Mas esse granjense foi merecedor do respeito e da confiança do maior benfeitor de Sobral. Com o aval de Dom José Tupinambá da Frota, Mestre João Paiva edificou obras que permanecerão ainda por anos e anos, desafiando o tempo e repassando lições de engenharia às novas gerações.
João Alves de Paiva nasceu a 6 de outubro de 1901, em Granja (CE). Passou a infância e a adolescência entre as cidades de Granja e Camocim, onde se iniciou na arte de construtor. Logo cedo procurou a cidade de Sobral, crendo que nela pudesse desenvolver seu talento.
Chegando aqui, passou a ser observado pelo bispo Dom José, que escolhia “a dedo” seus colaboradores. Dada a sua reconhecida competência, irrefutável honestidade e impressionante senso de justiça, no ano de 1932 João Paiva “caiu nas graças” do religioso, a exemplo do que ocorreu com o arquiteto Pedro Viana Madeira.
Começou, então, a trabalhar com Dom José na construção do Ginásio Diocesano (hoje UVA). Tornou-se seu homem de confiança em todos os empreendimentos, exercendo a função de mestre-de-obras com plenos poderes.
São inúmeras as obras em que ficou a marca do talento do Mestre João Paiva em diversas cidades da região, tais como: Granja, Bela Cruz e outras, nas quais ele edificou belas igrejas e residências. Mas as mais importantes concentram-se em Sobral, principalmente as idealizadas e concretizadas por Dom José Tupinambá da Frota. Dentre elas, destacam-se as diversas ampliações realizadas no Seminário da Betânia, na Santa Casa de Misericórdia, na residência episcopal (atualmente Museu Dom José), no Colégio Santana, no Patronato Maria Imaculada e também a remodelação da Catedral, em 1938. Vale ressaltar ainda que João Paiva participou ativamente da demolição da antiga igreja de São Francisco, bem como da construção da atual.
Deve-se, também, a seu talento a participação, em 1948, do lançamento da pedra fundamental para construção do Abrigo Sagrado Coração de Jesus, que inclui a capela lá existente. Esteve presente do início à inauguração, em 1953.
Ao lado do Mons. Aloísio Pinto, Mestre João Paiva construiu a Escola Profissional São José, no bairro Dom Expedito. Pode-se ainda encontrar em Sobral grande quantidade de residências construídas sob seu comando. Seus serviços eram constantemente solicitados pelos proprietários das construções a Dom José, de quem o mestre-de-obras era o construtor oficial.
Provavelmente, como maior tristeza do afamado Mestre, uma das realizações mais marcantes da sua vida foi a construção do túmulo do seu grande amigo e companheiro de luta, Dom José Tupinambá da Frota, na igreja da Sé. Mas, em sua religiosidade e resignação, Mestre João sempre dizia que aquilo fazia parte dos ossos do ofício.
A 21 de junho de 1931 João Alves de Paiva casou-se com Francisca Adélia Paiva. Dessa união nasceram sete filhos: Miriam, Armando (in memoriam), Walter, Maria de Lourdes, Maria Alice, jornalista Aluísio Paiva (in memoriam) e Maria de Jesus. Também soube ser pai com mestria. A todos ele deu exemplar formação religiosa, ética e cultural. Em 1961 morreu a esposa Adélia, passando a exercer a função de pai e mãe.
Depois da morte de Dom José, em 25 de setembro de 1959, o experiente mestre-de-obras ainda trabalhou muitos anos. Ele aplicou seus conhecimentos em outras grandes obras em Sobral e região. João Alves de Paiva faleceu a 10 de janeiro de 1993, aos 92 anos de idade.
É lamentável que homens como João Paiva e muitos outros que dedicaram suas vidas ao desenvolvimento deste município, que fizeram a história dessa terra, não recebam o devido reconhecimento da maioria dos sobralenses. E, em especial, da Câmara Municipal. Desse modo, seus nomes vão caindo no total esquecimento. Isto é, no mínimo, um certificado de ingratidão. E, parafraseando o jornalista Boris Casoy, repito: “Isso é uma vergonha”.
Daqui, da nossa sala de Redação, que fica no prédio do Abrigo Sagrado Coração de Jesus, cuja edificação foi acompanhada “pari passu” por Mestre João Paiva, externamos o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao seu incansável e valoroso trabalho. E aspiramos a que os demais sobralenses também façam o mesmo. Não como um simples gesto de imitação, mas pelo dever de gratidão e de justiça.

domingo, 1 de novembro de 2020

ÍCONES DE SOBRAL


Pálace Club


Antes da construção deste prédio, havia um outro clube bem mais modesto, fundado após a criação do Grêmio Recreativo Sobralense, em 1909.

Por iniciativa de grandes empresários e políticos da cidade, pessoas influentes de Sobral, entre eles, o jurista Dr. José Saboya de Albuquerque, também industrial e pecuarista, o Grêmio Recreativo Sobralense, através destes empreendedores, conseguiu e viu tornar-se realidade a construção de uma nova sede.

Com predominância no estilo neoclássico, por influência da arquitetura europeia, foi erguida nas imediações da praça da Meruoca, entre 1923 e 1926.

Por décadas foi frequentado pela aristocracia sobralense, quando começaram a surgir outras opções de clubes, entre estes a AABB. Mesmo assim, ainda continuou a promover por vários anos muitos encontros festivos, empresariais, intelectuai
s e culturais.

A partir de 1997 passou a ser a sede do Fórum de Sobral, e, desde o ano 2000, teve outra denominação, tornando-se o Palácio de Ciências e Línguas Estrangeiras.

Teatro São João

Este belo espaço cultural, também com predominância do estilo neoclássico, foi construído no período de 1875 a 1880, por influência da Sociedade Cultural União Sobralense, criada em 1875 e composta inicialmente por Antônio Joaquim Rodrigues Júnior, Domingos Olímpio, João Adolfo Ribeiro da Silva e José Júlio de Albuquerque Barros, que persuadiram e convenceram os empresários de Sobral a construir um grande teatro.

Este era um de seus primeiros planos: construir um teatro que também fizesse jus ao porte e ao nome da cidade. Vale lembrar que já existia o teatro Apolo, de proporções bem reduzidas e modestas.

Sobral já era uma cidade que se destacava no Ceará, produzindo e exportando muito couro, carne e algodão. E esta Sociedade tinha a cultura como prioridade no desenvolvimento.

Após a inauguração da estrada de ferro de Camocim a Sobral, em 1882, muitos atores que se apresentavam no teatro vinham de navio da Europa até o porto de Camocim e de lá viajavam de trem até Sobral.

Foi o segundo teatro de grande estilo construído no Ceará. O primeiro foi o de Icó, em 1860.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Coronel Joaquim Ribeiro






Um dos personagens importantes da história de Sobral, e que tem sido relegado a um plano secundário é o CEL. JOAQUIM RIBEIRO DA SILVA, filho do capitão mor Felipe Ribeiro da Silva e de D. Mª Bernardina do Monte, sendo seus avós paternos o cel. Félix Ribeiro da Silva e D. Maria Alves Pereira e os maternos, o também capitão mor José do Monte, cujo sogro era o capitão mor da fundação da Vila de Sobral, José de Xerez Furna Uchoa.

Destinado à carreira militar, sentou praça e era cabo, sendo logo promovido a Alferes da 1ª Cia do Batalhão de Cavalaria das Milícias de Sobral, quando foi enviado pelo presidente da Província do Ceará ao Maranhão, em 1839, por solicitação do cel. Luiz Alves e Silva (Depois Duque de Caxias), que tinha sido nomeado pelo imperador para combater a Revolta dos Balaios, que ameaçava invadir o nosso Estado. 

O encontro com os revoltosos se deu em território do Piauí, no local chamado Bebedouro, distrito da Vila de Piracuruca. Comandando homens da Guarda Nacional de Sobral e adjacências, reforçado por habitantes do local, somando ao todo 170 combatentes, derrotou 218 "Balaios" comandados por Pedro Celestino. No retorno a Sobral, em 1840, envolveu-se na "Sedição de Sobral", comandada pelo Coronel Francisco Xavier Torres, chefe da Força Pública, que não aceitava a autoridade do senador Martiniano de Alencar, presidente da Província. 

Depois da tentativa fracassada de invadir o Sobrado do Senador Paula, que hospedava o governador, os revoltosos fugiram e se entregaram para serem julgados e sentenciados. A realidade política mudou, rapidamente, e os revoltosos foram anistiados.

Por Decreto Imperial de 06/03/1843, Joaquim Ribeiro foi nomeado Tenente-Coronel Comandante da Cavalaria do Batalhão de Sobral e, em 20 de setembro do mesmo ano, promovido a major. Em 1867 foi dispensado por tempo indeterminado do Comando da Guarda Nacional de Sobral e reformado em 11/01/1868, sendo substituído pelo cel. João Tomé da Silva, porém foi reincorporado devido à Guerra do Paraguai. 

Não chegou a participar dos combates, mas seu esforço em arregimentar e organizar os combatentes, foi reconhecido pelo Exército, que lhe deu a patente de MAJOR HONORÁRIO e CONDECORADO com o grau de CAVALEIRO DAS TRES ORDENS IMPERIAIS: DO CRUZEIRO, DE CRISTO E DA ROSA. Era o Chefe do Partido Conservador na Zona Norte. Casou-se com D. Fcª Ermelinda da Silva, filha do Cel. Diogo Gomes (filho do Cel. Inacio Gomes Parente e Fcª de A. Costa). Faleceu em Sobral em 22/01/1878. Seu retrato a óleo, em tamanho natural, e que se encontra no Museu D. José, antes estava na prefeitura e não tem identificação do autor. Está com algumas partes deterioradas necessitando restauração por especialistas.

Por José Carlos Soares

terça-feira, 12 de maio de 2020

Praça do Patrocínio nasceu em terreno de cemitério




No passado havia a prática de chamar de praça um espaço desocupado. Este espaço, no período de 1825 a 1881 funcionou como primeiro cemitério de Sobral. Devido a uma epidemia de cólera, morreram muitas pessoas e foram sepultadas em valas coletivas. Depois foi construído o Cemitério oficial que é o São José.

Com a construção da estrada de ferro de Sobral (Estação da REFFSA), em local então arredado da cidade, despertou a ideia de edificar-se no novo bairro uma capela dedicada a Nossa Senhora do Patrocínio.

A Igreja do Patrocínio, foi construída sobre o terreno do mais antigo cemitério da cidade. A pedra fundamental foi benta a 16/01/1885 pelo Padre Vicente Jorge de Sousa e construída entre 1885 e 1900 por iniciativa da família Gadelha em estilo neoclássico. Entre 1923 e 1924 foi reformada internamente por iniciativa do bispo Dom José Tupinambá da Frota, tendo sido substituído o piso de tijolos por ladrilhos hidráulicos, construção das laterais e do altar-mor, cujo tabernáculo de bronze fora confeccionado em Paris. O projeto de reforma foi fornecido pelo engenheiro João Saboia Barbosa. A paróquia foi criada por Dom José em 23/09/1917.

1935 – 1985 homenagem do ECC da Paróquia do Patrocínio ao seu fundador em Sobral, Monsenhor Sabino Guimarães Loyola no seu cinqüentenário de ordenação sacerdotal. Sobral, 10/02/1985.

Busto do Monsenhor Sabino. Homenagem do povo de Sobral ao seu benfeitor Monsenhor Sabino Guimarães Loyola por ocasião de seu centenário de nascimento *25/08/1909... +07/01/2005. “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé” (2º Timóteo 4,7). Sobral-CE, 25/08/2009. Leônidas Cristino prefeito municipal.


A coluna com a estátua da liberdade no topo. 1ª placa, oval e com os dizeres: “Monumento comemorativo da fundação de Sobral passou a Povoado em 1712, à Vila em 1773 e à Cidade em 1841” inaugurada em 07/09/1927 e a mão de obra foi do versátil Pedro Frutuoso do Vale; 2ª placa, quadrada e diz: Administração do prefeito Ernesto Marinho de Albuquerque, período (1924-1928).

Museu do Eclipse. “O problema concedido pelo meu cérebro, incumbiu-se de resolvê-lo o luminoso céu do Brasil”. (Albert Einstein). Em data de 21/03/1925 no Rio de Janeiro.

Neste local (Praça do Patrocínio), em 19 de maio de 1919, os astrônomos britânicos, Charles Davidson e Andrew Chommelin, com a colaboração dos brasileiros capitaneados por Henrique Morize, fotografaram o Eclipse Solar. Os resultados viriam a comprovar a deflexão da luz nas proximidades do sol, como previsto pela teoria geral da relatividade de Einstein. Sobral/CE, 21/07/2005. “British Council”; “Ministério da Ciência e Tecnologia, Brasil um País de Todos – Governo Federal”; “SBF – Sociedade Brasileira de Física”.

O Museu do Eclipse, inaugurado em 29 de maio de 1999. 80 anos que a expedição científica do observatório Greenwich esteve em Sobral e comprovou a Teoria da Relatividade com a observação do Eclipse Total do Sol. Foi legitimada a nova teoria do universo, do físico e matemático Albert Einstein. O museu do Eclipse inaugurado hoje, é uma justa homenagem ao tão significativo acontecimento. Um antigo sonho, cuja concretização se deve aos esforços conjuntos da prefeitura de Sobral e da Embratur. Cid Ferreira Gomes, prefeito municipal de Sobral; Bismarck Pinheiro Maia, diretor de Economia e Fomentos da Embratur; Luis Fernando V. Coelho, Secretário Municipal de Negócios da Indústria, Comércio eTurismo. Prefeitura Municipal de Sobral. Prefeitura Municipal, Sobral no Rumo Certo.
O Planetário, completa o conjunto do Museu do Eclipse. Foi inaugurado sexta-feira, 29 de maio de 2015, às 19h. Prefeito Veveu Arruda; governador Camilo Sobreira de Santana e Ivo Ferreira Gomes, secretário de estado das Cidades do Ceará; Inácio Arruda, secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará e a Secretaria Municipal da Cultura e do Turismo, Eliane Leite. É o primeiro planetário no interior do Estado do Ceará. “Sobral Terra da Gente”.

A Praça do Patrocínio: construída com recursos exclusivos do município e inaugurada dia 27 de maio de 1978, prefeito Dr. José Euclides Ferreira Gomes Júnior. Placa afixada na parede do pátio da igreja.

A inauguração da revitalização da praça: também a pintura externa da igreja. Igreja e praça ficaram maravilhosas.

Governo do Estado do Ceará. Inauguração da Praça do Patrocínio. Sobral/CE, 29 de maio de 2015. Camilo Sobreira de Santana, governador do estado do Ceará; José Clodoveu de Arruda Coelho Neto, prefeito de Sobral; Ivo Ferreira Gomes, secretário de Estado das Cidades do Ceará. As placas: da primeira e desta inauguração, estão afixadas num pedestal de mármore roso, chapiscado de preto ao lado do Planetário. Frente à igreja.

A Praça do Patrocínio também é chamada de: “Praça Osvaldo Rangel”. Agora durante a reforma foi até chamada de: “Praça do Postecinio” em virtude da quantidade de postes colocados inicialmente.

Por Adalberto Mendes de mesquita
Publicado em 4 de junho de 2015 no Jornal Correio da Semana