terça-feira, 3 de maio de 2011

Dom José Tupinambá da Frota




Dom José Tupinambá da Frota nasceu em Sobral, em 10 de setembro de 1882, morrendo nesta mesma cidade em 21 de setembro de 1959, sendo sepultado na Catedral de Nossa Senhora da Conceição da Caiçara, a Sé de Sobral, na capela do Santíssimo Sacramento, cujo epitáfio em mármore, contém as palavras: “Ad pedes Domini pie requiescat”.
Era filho de Manuel Artur da Frota e Raimunda Artemísia Rodrigues Lima, Fez os estudos primários na cidade natal, vindo a concluir o curso secundário no seminário de Salvador, ingressou na Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, recebendo o grau de Doutor em Teologia e Filosofia em 1902.
Foi ordenado presbítero em Roma em 29 de outubro de 1905, após haver estudado na Pontifícia Universidade Gregoriana e residido no Colégio Pio Brasileiro.Retornando ao Brasil, em 1906, voltou a Sobral ajudando o Pe Diogo da Frota, seu tio, então pároco. Em 1907, a convite de D. José de Camargo Barros, lecionou Teologia Dogmática, Ética e Liturgia no Seminário da Ipiranga, em São Paulo.
Em 1908, retornando ao Ceará, foi nomeado pelo Bispo de Fortaleza dom Joaquim José Vieira, vigário de Sobral, uma das principais cidades do Ceará e berço da tradicional família Frota, de cuja casa era membro.
Em  1916 foi criada a Diocese de Sobral pela bula Catholica e Religionis Bonum, do Papa Bento XV, que em conjunto com a Diocese do Crato (1914) compunham a Província Eclesiástica do Ceará,(1915), com sua Arquidiocese em Fortaleza.
Por influência do Metropolita, dom Joaquim, junto ao Núncio Apostólico, o então Monsenhor José Tupinambá da Frota foi nomeado e sagrado como o 1º Bispo de Sobral. Foi sagrado bispo na Catedral de Salvador, na Bahia em 29 de junho de 1916, por D. Jerônimo Thomé da Silva, arcebispo primaz do Brasil, tomando posse solenemente em Sobral em 22 de julho do mesmo ano. A cidade explodiu de satisfação e orgulho.
A escolha do Monsenhor José Tupinambá ocorreu de forma muito reservada, a fim de evitar-se influências - e fofocas- das lideranças locais nessa nomeação. E surpreendeu os sobralenses, pois, embora cogitada e esperada, não se imaginava tanta celeridade na criação da diocese e designação de seu bispo. Dom José tinha o perfil ideal desejado pelo Arcebispo de Fortaleza, tanto moral quanto intelectual, pois nesse momento histórico a Igreja Católica no Ceará e no Brasil, com a liderança de Cardeal dom Sebastião Leme, arcebispo do Rio de Janeiro, entrava numa nova era de reestruturação.
O projeto político da Igreja no início da década de 1920, tinha os bispos como os principais líderes. Propunha-se uma restauração católica, cujas diretrizes fundamentavam-se na superação do laicismo da Primeira República, quando a Igreja perdeu sua condição de religião oficial, o ensino religioso, a instituição do casamento civil, combate ao socialismo e ao comunismo de forma radical, reforço à hierarquia e a autoridade, uma ênfase na participação em todas as esferas da sociedade, tendo como vértice a formação das elites católicas, círculos operários e até partidos políticos, como foi o caso da Liga Eleitoral Católica (1932), que se instalou em Sobral (22 de novembro de 1932) com a participação direta de Dom José, que entra em confronto com a oposição liderada pelo juiz José Saboya, tendo dom José saído vitorioso dessa disputa, usando como pseudônimo Chico Monte, de quem seria aliado por muito tempo.
Dom José foi um estudioso da genealogia e sócio correspondente da Academia Cearense de Letras, do Instituto do Ceará e de igual maneira do Instituto Brasileiro de Genealogia.
Um dado curioso sobre dom José, foi a outorga do Título Palatino de Conde Romano da Santa Sé, que lhe teria sido agraciado por Pio XII. Esse título causa muita confusão entre os não informados, pensando-se tratar-se de uma outra designação de bispo e de forma geral diz-se de forma equivocada Bispo-Conde de Sobral.
A Santa Sé outorgava títulos de nobreza a bispos e pessoas que lhe prestavam relevantes serviços, resquícios da Monarquia Papal e dos Estados Pontifícios, abolidos no Século XIX, de forma que no Ceará foram agraciadas somente duas pessoas com títulos nobiliárquicos pontifícios, sejam, dom José, como Conde e Guilherme Studart, como Barão por Leão XIII em 20.01.1900. No Brasil 13 bispos receberam títulos nobiliárquicos de condes, como também outras personalidades leigas receberam títulos diversos, computando-se 61 titulares.
Fato é que a elite sobralense via-se com esse título, outorgado a dom José, de certa forma enobrecida também. Ele um teocrata como o foi, aristocrático e vaidoso é elevado a patamares superiores e pode sobrepor-se sobre os seus pares e conterrâneos e tratar com as autoridades políticas brasileiras como um superior: Ele é mais que um simples bispo diocesano é um nobre!http://www.cbg.org.br/arquivos_genealogicos_t_01.htm
Dom José Tupinambá da Frota implantou um modelo de Igreja Católica Romana dentro dos padrões e diretrizes da Santa Sé, tanto liturgicamente como moralmente. Autoritário, era muito intransigente e exigente com seus padres e também com os leigos.
Certo padre de sua diocese, já falecido, lamentava-se do mesmo não haver-lhe permitido pagar a contribuição ao então INPS nada além que 1 salário mínimo... Orgulhava-se de não haver uma só igreja protestantes dentro de suas fronteiras eclesiásticas. Era afeito a grandes "pontificais", nos quais usava paramentos feitos em Roma e próprios para o clima europeu, quando Sobral tem uma temperatura média variando de 24 °C, à noite, a 36 °C. Teria comprado um automóvel Rolls-Royce usado unicamente em dias solenes... Criou várias paróquias, ordenou vários padres, que adotavam o modelo centralizador e autoritário de seu bispo e que nem o Concílio Vaticano II (acontecido após a sua morte), foi capaz de modificar as atitudes e ainda hoje persiste na região um certo "coronelismo" clerical, mesmo nas gerações atuais que acabam cedendo à mosca azul que o prestígio interiorano ainda lhes dá.
Sua influência na sociedade foi além de seu poder episcopal. Nas visitas pastorais, realizadas com muita pompa em suas paróquias, formavam-se filas gigantescas de fiéis para o “beija-mão” e à sua saída - sob pálio - e retorno das casas paroquiais,  onde hospedava-se, os sinos repicavam em deferência à sua dignidade episcopal, até recolher-se novamente.
A submissão do povo cearense da zona norte tem raízes históricas na dominação portuguesa e na catequese jesuítica dos século XVII ao XVIII, pois muitas cidades da região norte do Ceará tem origens nos aldeamentos missionários e nas posteriores "Vilas de índios", como é o caso específico de Viçosa (aldeamento da Ibiapaba) que era, então parte integrante da Diocese de Sobral.
Durante seu episcopado, influenciou muito na política local e regional e era um dos líderes políticos regionais, utilizando-se de forma extensiva a Rádio Tupinambá de Sobral - também fundada por ele - e de grande audiência por toda a região e era um dos seus instrumentos ideológicos, políticos e religiosos (cujo Integralismo - os camisas verdes - de Plínio Salgado, estava em voga na Igreja) e que contribuiu muitíssimo na hegemonia desse bispo. Seu braço direito para as ações políticas eram Chico Monte (na década de 30) o padre José Palhano de Sabóia (na década de 50), o qual tinha como filho adotivo e que foi eleito prefeito de Sobral (1959-1963) depois de sua morte. Os resquícios da participação da igreja de Sobral nos negócios públicos ainda hoje são sentidos na região norte do Estado do Ceará, quando muitos padres fazem papéis de "cabos eleitorais" de candidatos locais.
Ao longo dos 50 anos de administração eclesiástica, 5 de pároco e 43 anos de seu bispo, criou em favor de Sobral - em detrimento das outras cidades da vasta diocese e suas paróquias, e com recursos daquelas - inúmeras instituições dentre as quais podemos destacar os Colégios Sobralense e Sant'Ana - para moças e rapazes da elite -, o Patronato Imaculada Conceição e a Escola profissional São José , o Museu Diocesano, onde ajuntou peças de arte-sacra de suas paróquias, inclusive confiscando relíquias históricas de várias antigas paróquias, o Abrigo e Orfanato Coração de Jesus, o Cine-Teatro Glória e o Jardim Zoológico, a Casa de Saúde São José e a Santa Casa de Misericórdia - que ainda nos dias atuais é centro de referência em toda a região, o Seminário Teológico-filosófico, para a formação de seminaristas, que foi o embrião da Universidade Estadual Vale do Acaraú, UVA e inclusive o Banco de Crédito Popular, que se transformaria posteriormente no BANCESA S/A (que faliu em fevereiro de 2003http://www.massafalidabancesa.com.br/edital.htm), mas que por muito tempo fomentou a economia local.
Dom José foi de forma direta e indireta um dos mentores do desenvolvimento de Sobral e de toda a região Norte do Estado do Ceará, mas também o responsável pelo modelo de Igreja autocrática, ainda persistente naquela região.
Era um estudioso da genealogia e foi sócio correspondente da Academia Cearense de Letras, do Instituto do Ceará e do Instituto Brasileiro de Genealogia. Sua morte, aos 77 anos, deixou um vácuo na igreja de Sobral, pois seu modelo único não podia - nem devia - ser copiado por seus sucessores que optaram por modelos de episcopado mais pastorais - já guiados pelas diretrizes da CNBB - e menos aristocráticos numa Igreja Católica que tentava se atualizar sob as luzes do Concílio Vaticano II.
1 Títulos Palatinos (palacianos): são os títulos outorgados às pessoas que assistem ao soberano nos afazeres do governo ou prestam serviços à sua Casa ou pessoa. O mais conhecido é o Conde Palatino que é muitíssimo considerado pela nobreza pois  ele subentende a proximidade de seu dignitário com o soberano e implica, sempre, em altas funções exercidas
na Corte. A Santa Sé outorga títulos palatinos acrescentando a expressão Romano como exemplo: Conde Romano ou Conde Romano da Santa Sé.
   2. Não conseguimos identificar o ano da outorga desse título, segundo o site da escola brasileira de genealogia, ele é real, mas não identifica qual o papa e qual o ano isso aconteceu.
   3. Presumimos, pela cronologia histórica que teria sido Pio XI, haja vista a grande quantidade de títulos de Conde concedidos por aquele pontífice, que restabeleceu a autonomia política da Santa Sé.
MAIS SOBRE DOM JOSÉ
Dom José Tupinambá da Frota controlou a Igreja Católica em Sobral,durante cerca de cinqüenta anos,primeiro como vigário geral da diocese depois como seu primeiro bispo, preservando os fieis das tentações da maçonaria,do espiritismo,do comunismo e das alegrias do sexo,disputando ainda a liderança política da cidade com o eterno rival,o juiz e industrial Jose Saboya de Albuquerque.
O bispo que,em determinada época, chegou a se assinar Bispo Conde de Sobral, não deixou marca apenas de grande realizador de obras materiais na cidade ,mais importantes que todas as outras de responsabilidade de lideres políticos locais, foi também o antistite, apegado às honrarias e às insígnias do posto,às exigências da liturgia e às imposições da hieraquia.
Ele gostava de se trajar,com vestes de bispo,cheio de arminhos,levando, ao tórax, cruz pastoral de ouro e à mão báculo dourado, indicações de sua importância e da reverencia que sua posição exigia..
Ajoelha, cabra
Dom José exigia muito respeito às formalidades. Quando em visita à Secretaria do Interior e Justiça, ainda sob a ditadura, D. José foi cumprimentado com um aperto de mão pelo porteiro ou contínuo Fialho. Não gostou e, empurrando-o levemente, ordenou: “Ajoelha, cabra”. É que, naquele tempo, a gente se ajoelhava para beijar a mão do bispo. E D. José não dispensava tal tipo de homenagem.
A um bispo não se chama
Certa vez, depois de despachar no Banco de Crédito Popular com seu dirigente, saiu apressado. Seu presidente, José Modesto Ferreira Gomes, um dos esteios da religião, construtor da Igreja do Sumaré, lembrou-se de que ainda havia um assunto pendente, dependendo de sua decisão. Elevou então a voz para deter o antístite, que ia apressado. “A um bispo não se chama”, disse ele, repreendendo José Modesto Ferreira Gomes, que o chamara em vão, quando conseguiu alcançá-lo . É que o bispo continuou andando, como se não o estivesse ouvindo, mesmo depois de ele haver alteado a voz.
O padre Tibúrcio Gonçalves de Paula, que morou em sua companhia do “palácio do bispo” testemunhou cena que bem define sua preocupação com a hierarquia:
Certa feita, um sertanejo assim o abordou:
“Senhor bispo!”
“Suba mais”
“Vossa Reverendíssima”
“Suba mais”, ordenou dom José.
“Vossa Excelência Reverendíssima”
O antístite ficou, enfim, satisfeito:
“Assim é que se trata um bispo
Magister dixi
Dom José foi, desde cedo, admirado como aluno exemplar seja na Bahia seja no Vaticano onde se doutorou e como homem de cultura privilegiada , exaltada pelos colegas de episcopado. Por isso, gostava do “magister dixit” e não admitia contestação. O único sacerdote que dele discordava ,e isto na presença dos outros,e por isso merecia seu respeito não sua estima, era Expedito Lopes que foi assassinado,depois,como bispo de Garanhuns por sacerdote de sua diocese pouco ligado no voto de castidade que jurava e no celibato que não respeitava. Basta ver como ambos de comportam em discussão sobre determinado dispositivo do Direito Canônico.
O estadista
Dom José Tupinambá da Frota foi o maior homem publico de Sobral, capital da civilização do couro,instalada no Ceará,Nordeste brasileiro. Superior,em serviços prestados à cidade, que os políticos contemporâneos José Saboya e Chico Monte,pela grandeza dos beneficios que implantou e que até hoje servem à comunidade. Como a Santa Casa de Misericordia, posteriormente reformada e modernizada pelo padre José Linhares,para servir a mais de cinquenta municípios da regiao norte do Estado. O Seminário Diocesano que formou a elite da Princesa do Norte, principalmente a que fundou e deu os melhores professores à Universidade do Vale do Acaraú, e cujo prédio principal ainda hoje abriga sua Reitoria. Foi instalada pelo historiador padre Sadoc de Araujo e teve período de grande expansão quando sob o comando do professor Teodoro Soares, ex-seminarista ali. Como os Colégios Sobralense para rapazes e Santana para moças. O Patronato para ensinar às moças pobres. O Abrigo, fundado com o objetivo de acolher velhos pobres e desamparados. O jornal “Correio da Semana” ainda hoje em atividade e que foi fundado também para lhe dar sustentação às campanhas políticas. O Museu que guarda,inclusive,o testemunho do fastígio e da riqueza da região,no auge do prestigio da pecuária. Não mais existe o banco que fundou e que terminou seus dias sob o controle do exportador Manuel Machado da Ponte.
Para realizar tanta coisa, não foram suficientes os recursos da Diocese e até os de sua fortuna pessoal também empregadas. Precisou exercer muita influência política para arrecadar meios de que precisava para executar seu gigantesco programa de obras publicas. Isto o levou à intensa participação nas disputas da vida publica da cidade e a polêmicas ferozes. Dai os atritos com o jornalista Deolindo Barreto, diretor de A Lucta contra cuja leitura e mera assinatura instituiu pecado mortal. Rival seu foi outro aristocrata, José Saboya de com quem viveu às turras, apoiando seu ex-aliado e adversário Chico Monte. Até que, no fim da vida, deste se afastou para ajudar o pupilo querido,padre José Palhano de Sabóia a conquistar a prefeitura municipal.
O Bispo era ativo defensor da moral da época e de seus ditames a ponto de ficar, vigiando da janela do sobrado que habitava a que horas os foliões deixavam os bailes da carnaval do Tabajara Clube, se dele saiam à meia noite de terça feira ou se continuavam na gandaia até a manha da quarta feira de cinzas.
Por isto, os padres tinham de manter cerrada vigilância sobre os decotes nas mulheres que tinham ingresso no tempo, contra o Carnaval dos clubes e o “coco”dos subúrbios. Dançar o carnaval mesmo ao lado da mulher era pecado que os membros da Congregação Mariana,como Raimundo machado,posteriormente rei da cera de carnaúba no Estado e José Valeriano Dias expiavam com expulsão publica da entidade.
Dom José - Um homem mudando o seu tempo
Depois de mais de meio século sem a presença deste grande homem entre nós a sua cidade tem sofrido a sua falta. É que os poucos abnegados que reconhecem sua vida e obra ainda resistem no tempo.
Com a modernidade, os fatos é claro, que são outros, e têm marcado uma nova era entre nós, principalmente no que diz respeito à política social. Os agentes políticos nossos, teimam em não aceitar a realidade do que fez este grande homem em nossa história, por isso esquecem sua história de vida, e passam a imitá-lo sem sucesso algum em suas trajetórias.
DOM JOSÉ foi um forte, um ser apaixonado pela vida e sua terra amada. Um cavalheiro do destino, um ser iluminado. DOM JOSÉ foi um homem que marcou a historia de sua terra querida, em tudo de SOBRAL tem um marco, uma ação sua, de vida e obra imorredoura.
O povo é outro, mas a lembrança não dever morrer, a historia está aí para retratar o seu grande amor e seu ideal maior, pela sua cidade berço, sua vida. Hoje se vivo fosse, seria bajulado e cantado em verso e prosa por esta nossa classe política movida a interesse. Carta marcada dos políticos modernos. Mas fazer o que, a nossa parte no manual da história passada e presente, dando valor aos históricos líderes do passado, homens que construíram com sangue e suor a história de seu povo.
Avante Sobral, o teu povo cobra dos teus lideres maior empenho e determinação em nome da história.Tudo hoje é descartável, os políticos, as ações até o ensino moderno.
Vamos fazer uma história eivada na solidariedade humana, e na ação em prol do povo, marca registrada dos que fizeram no passado as pegadas de suas vidas construindo sua terra.
Ainda há tempo de sabermos reconhecer os vultos que marcaram sim a nossa história, com trabalho e amor à toda prova. DOM JOSÉ foi, sempre será um referencial desta realidade. VIVA o nosso maior benfeitor, o bispo conde, o senhor de todas as coisas de sua terra.
Dom José Tupinambá da Frota com sua morte fez jorrar uma fonte substancial, de cuja água bebem somente aqueles que têm amor à sua terra Sobral.
Silveira Rocha




IMAGENS QUE RETRATAM PARTE DA TRAJETÓRIA EDIFICADORA DO PRIMEIRO BISPO DE SOBRAL
Estrutura para realização de Congresso Episcopal de 1940




Procissão do Santissimo
Dom José com seus seminaristas no Congresso
Dom José ao lado de autoridades civis e religiosas


NA SEQUÊNCIA INSERIREMOS NOVAS IMAGES

domingo, 1 de maio de 2011

Capela de Santo Antonio

É a menor capela de Sobral. Em 1765 já existia o pequeno nicho, dedicado a Nossa Senhora do Bom Parto, onde o padre João Ribeiro Pessoa, durante a construção da Matriz, conservou as sagradas imagens e o Santíssimo Sacramento.
Quando Manuel de Sousa Leal e sua mulher Vitória da Silva Dorneha venderam a terra, que pertence atualmente ao patrimônio de Nossa Senhora do Rosário em 1795, excetuaram “os chãos que foram necessários para se levantar a Igreja de Nossa Senhora do Livramento”.
Essa igreja, porém, nunca se construiu, talvez porque sendo o terreno doado muito vizinho ao nicho de Nossa Senhora do Bom Parto, não havia conveniência em edificar nova capela na mesma rua.
O mencionado nicho, já em vigor em 1839, estava fora do alinhamento, e o padre Antonio Fialho o demoliu para construir no seu lugar a atual capela, iniciada em 1853 e benta quatro de junho de mil oitocentos e cinqüenta e cinco, Houve então grandes festas, sendo celebrado com desusado brilhantismo o novenário de Santo Antonio de Pádua, cuja imagem se venerava no mesmo nicho.

A Sedição de Sobral - 1840



 O senador José Martiniano de Alencar, presidente do Ceará, chegou em Sobral no dia primeiro de dezembro de 1840, hospedando-se no palacete do seu amigo senador Francisco de Paula Pessoa, que depois foi o Palácio Episcopal e hoje é o Colégio Sat’Ana.
Viera com alguma força para induzir o tenente coronel Francisco Xavier Torres entregar o comando da Força Pública, o que até então não tinha querido fazer, a fim de evitar uma revolta, que se receava, das tropas enviadas para combater os Balaios.
Surgiram então em várias partes da Província sedições contra a administração, aliás muito profícua, do senador Alencar, começando por S. Bernardo, onde os insurgentes prenderam algumas autoridades e se apoderaram da Vila a vinte e três de novembro daquele ano. O fim era depor o presidente e substituí-lo pelo Dr. Miguel Fernandes Vieira, chefe da oposição.
A sedição em Sobral começou na noite de onze de dezembro, sendo o palacete dos senador Paula alvejado pela força ao mando do tenente coronel Francisco Xavier Torres, empenhando-se um combate nas ruas da cidade, em que foram mortos quatro soldados e feridos oito, tendo a gente da legalidade dois soldados mortos e cinco feridos.

Festa das Candeias

No dia dois de fevereiro, festa de Purificação de Nossa Senhora, conhecida pelo nome de Festa das Candeias, costumava-se antigamente levar velas para serem bentas antes da missa conventual. Antes do decreto do Santo Padre Pio X, era então dia santo.
Á noite todas as casas tinham as suas janelas iluminadas com lanternas acesas em honra de Nossa Senhora das Candeias. Este piedoso costume desapareceu no centro da cidade, há muitos anos, mas ainda hoje conserva-se religiosamente nos subúrbios de Sobral, onde todos os casebres, por mais pobres e humildes que sejam, ostentam nessa noite a sua lamparina acesa sobre a soleira das ruas portas ou janelas.
É um espetáculo impressionante, quando de uma eminência qualquer contemplam-se centenas de pequenas chamas, à semelhança dos arraiais em tempo de festas nos nossos sertões cearenses.

Apostolado da Oração



No dia 6 de abril de 1877 foi pelo Pe. Dr. João Augusto da Frota, fundado nesta Freguesia o Apostolado da Oração, com sede na Matriz, sendo sua 1ª presidente a freira Isabel de Maria Frota, irmã do reverendo sacerdote, que ocupou o cargo até sua morte, ocorrida a 26 de março de 1916. Faleceu esta virtuosa senhora com fama de grande santidade.
Nasceu em Sant’Ana a 9 de março de 1843: Filha legitima de Antonio da Frota Vasconcelos e D. Ana Joaquina de Menezes. Por ocasião das missões do Pe. Ibiapina, tomou o “véo” de beata.
Dela dizia monsenhor Diogo, vigário de Sobral: “É a alma mais perfeita da paróquia”. Em 6 de abril de 1927 celebrou-se com extraordinária pompa o 50º aniversário dessa fundação, havendo Missa Pontifical e à tarde imponentíssima procissão com a imagem do Santíssimo Sagrado Coração de Jesus, depois da qual houve “Te Deum” e Benção eucarística.
Por expressa faculdade do Santo Padre, o Papa Pio XI, nesse dia o bispo concedeu aos fiéis Indulgência Plenária com a bênção papa. Durante o longo do tempo de sua existência nunca deixou de celebrar-se no altar do S.S. Coração de Jesus a miss a da 1ª sexta-feira do mês.

General Tibúrcio em Sobral

Uma memorável manhã, Sobral amanheceu engalanada. Faziam justamente 30 anos que o pequeno Tibúrcio o humilde moço desconhecido, de origem obscura, sem possuir nome nem fortuna, deixava esta mesma cidade, e que agora voltava coberto de louros e glória.
Tibúrcio trazia a sua honrosa visita a Sobral, onde possuía ainda parentes e um considerável número de amigos e admiradores.
A sua visita fora anunciada previamente, dando lugar, assim, para que a população da cidade-moça o pudesse receber galhardamente, tal como fazia jus o bravo soldado que tão heroicamente defendera o patrimônio brasileiro na famosa guerra do Paraguai.
Uma numerosa caravana de cavaleiros partira de Sobral às primeiras horas do dia, ao encontro do ilustre visitante. Eram cidadãos da mais alta representação social da terra. O encontro se deu a cerca de duas léguas distante de Sobral.
A 9h30, o general Tibúrcio Ferreira de Sousa, garbosamente montado e seguido do numeroso séquito, fazia a sua entrada triunfal, como um dos mais insignes generais brasileiros, na mesma cidade, em que há trinta anos, chegava anônimo e desconhecido.
O primeiro contato do general em Sobral foi a praça que tinha o seu nome: “Praça General Tibúrcio”, sendo ali aclamado por imensa multidão. Aquele logradouro público havia recebido caprichosa ornamentação.
O ilustre visitante, juntamente com os seguidores e sob as notas entusiásticas do Hino Nacional encaminhou-se pela Rua Marquês de Herval (depois da Rua da Aurora, hoje Domingos Olímpio), onde havia seus manifestantes erguido um Arco de Triunfo, onde se entrelaçavam as bandeira e francesa com esta inscrição: “O Brasil e a França ao General Tibúrcio”.
Ali foram erguidos entusiásticos vivas a Tibúrcio, ao Brasil e a França.
A grande comitiva acompanhou-o dali até a residência do capitão Ferreira de Arruda, primo de Tibúrcio.
À noite foi promovida em honra de Tibúrcio, uma passeata que foi muito concorrida e que, partindo da Praça General Tibúrcio, seguia até a Praça da Bandeira, acompanhada de música local, indo parar em frente à residência do capitão Vicente Ferreira Arruda, onde se fizeram ouvir aplaudidos tribunos doutores Antonio Ibiapina e Raimundo de Arruda, falando também, nessa ocasião, o ilustre homenageado.

Os escravos em Sobral



Eram bastante numerosos e vinham de Pernambuco, Maranhão e Bahia. Os senhores não costumavam praticar contra eles os horrores de que estão cheias as crônicas do tempo.
Em agosto de 1881 havia no Ceará 24.193 escravos, dos quais Sobral tinha 1.984. Havia, contudo, alguns de coração endurecido e mau, que mandavam açoitá-los cruelmente e depois retalhar-lhes as nádegas e sobre as feridas punham sal, aumentando indizivelmente as torturas, que padeciam aqueles indefesos cativos.
Muitos enforcavam-se para abreviar os sofrimentos, e ainda há em Sobral quem possa repetir os nomes de dois senhores, verdadeiros verdugos, que assistindo aos açoites, tomavam o pulso do infeliz escravo e, desapiedadamente diziam: “Aguenta ainda tantas retalhadas!”
Tinham os negros seus dias de folgas na festa tradicional dos Reis Congos que haviam trazido da Angola, como diz Pedro Calmon: “É preciso deixar bem acentuado que muito embora a crudelíssima disciplina da família antiga, que penetrava até as escolas, o escravo do Ceará não era o mesmo mártir da lavoura do sul. Não conhecia eito e a senzala dos latifúndios; fazia tão somente de domésticos, em contato imediato com o seu senhor.

A Cadeia Pública


Entre os serviços de emergência que o Governo mandou executar em Sobral por ocasião da seca de 1877 – 1879, para dar meios de subsistência aos flagelados, avulta a construção da Cadeia Pública.
A 26 de outubro de 1877 foi lançada a primeira pedra da nova penitenciária, sob planta fornecida pelo diretor da obra, João José da Veiga Braga, no terreno do antigo Curral do Açougue, encravado nas terras do patrimônio de Nossa Senhora do Rosário nas extremas das terras do conselheiro Antonio Joaquim Rodrigues Júnior.
Foi então transferido o “curral” para outro sítio, na estrada que vai à Meruoca, ao lado esquerdo, sobre uma colina, onde ainda existem as paredes do velho açougue, que funcionou até a inauguração do Matadouro Modelo, iniciativa e propriedade do Sr. Francisco de Almeida Monte.
Este prédio está situado ao lado esquerdo da rodovia de Tianguá. Foi lançada a primeira pedra no dia 15 de outubro de 1927, e inaugurado a 20 de maio de 1928.

Independência do Brasil - 1822



Foi a cinco de outubro de 1822 que a Câmara teve conhecimento oficial da Independência do Brasil, proclamada nas margens do Ipiranga.
Leu-se então um ofício de José Bonifácio de Andrada e Silva acompanhado de seis exemplares do Manifesto de sua Alteza Real o Príncipe Regente aos povos deste reino.
Na sessão extraordinária de 10 de dezembro do mesmo ano, presidida pelo ouvidor geral interino da Comarca, Dr. Adriano José Leal, resolveu a Câmara marcar o dia 15 do mesmo mês para proceder a aclamação do Sr. Pedro I Imperador Constitucional do Brasil, e que depois dessa solene cerimônia se mandasse celebrar na Igreja Matriz um Te-Deum, com Salva Real e que se pusessem luminárias na Vila nas noites de 13, 14 e 15 do mesmo mês, anunciado tudo por edital.
Na oportunidade foi editada uma Ata de Aclamação do Senhor Dom Pedro I Imperador Constitucional do Brasil e seu defensor perpétuo.

A 1ª Câmara Municipal na República



Dissolvida a Câmara Municipal de Sobral, em janeiro de 1890, foi nomeada para dirigir os negócios municipais uma comissão, ou intendência, composta de cinco membros: Dr. Vicente Cesário Ferreira Gomes, Francisco de Almeida Monte, Vicente Ferreira de Arruda, Domingos Deocleciano de Albuquerque e Cesário Ferreira Ibiapina.
No primeiro dia de fevereiro de 1890 teve lugar a posse da Intendência nomeada para substituir a antiga Câmara Municipal. Apenas empossada, a nova Intendência mandou lavrar um Edital, que foi publicado no jornal “A ORDEM”, dando ciência ao público daquele ato e prometendo “entranhar as mais sinceras disposições de bem servir ao município”.
Logo na sessão do dia 3 do dito mês, foram demitidos todos os empregados em seus devidos cargos. Foi esta derribada necessária para montar na cidade e no município o partido graúdo ao qual pertenciam os membros da Intendência.
A última Câmara era formada dos seguintes cidadãos: Alexandre Mendes Vasconcellos (presidente), Philomeno Ribeiro Leitão (secretário); Cassiano Mendes da Rocha, Manoel Arthur da Frota, Domingos Vasconcellos, Antonio Raimundo Ferreira Gomes, José Mariano da Rocha, João Francisco de Vasconcelos (vereadores).
Nos livros das atas da Câmara nada consta sobre a Proclamação da República senão a sessão extraordinária de 29 de novembro de 1889.

Relação de prefeitos de Sobral, desde 1890

Dr. Vicente Cesar Ferreira Gomes (1890)
Cel. José Ferreira Gomes (1891/1892)
Rosendo Augusto de Siqueira (1892/1902)
Dr. Alfredo Marinho de Andrade (1902/1904)
Cel. José Ignacio Alves Parente (1904/1908)
Cel. Frederico Gomes Parente (1908/1912)
Cel. José Candido Gomes Parente (1912/1914)
Francisco Porfirio da Ponte (1914)
Cel. Frederico Gomes Parente (1914/1916)
Dr. José Jacome de Oliveira (1916/1920)
Henrique Rodrigues de Albuquerque (1920/1923)
Antonio Mendes Carneiro (1923)
Ernesto Marinho de Albuquerque Andrade (1924/1928)
Monsenhor Fortunato Alves Linhares (1928)
Dr. José Jacome de Oliveira (1928/1930)
Arthur da Silveira Borges (1930/1932)
Ten. Floriano Machado (1932)
Dr. Paulo de Almeida Sanford (1932)
Alpheu Ribeiro Aboim (1933)
Dr. Leocadio de Araujo Júnior (1934/1935)
Ataliba Daltro Barreto (1935)
Vicente Antenor Ferreira Gomes (1935/1944)
Dr. João de Alencar Mello (1944/1945)
Dr. Arnaud Ferreira Baltar (1945)
Randal Pompeu de Saboya Magalhães (1945/1946)
Dr. João de Alencar Mello (1946)
Dr. José Gerardo Frota Parente (1947)
Ataliba Daltro Barreto (1947/1948)
Dr. Jacyntho Antunes Pereira da Silva (1948/1951)
Antonio Frota Cavalcante (1951/1955)
Dr. Paulo de Almeida Sanford (1955/1959)
Pe. José Palhano de Saboia (1959/1963)
Cesário Barreto Lima (1963/1967)
Jerônimo Medeiros Prado (1967/1971)
Joaquim Barreto Lima (Quinca) (1971/1973)
José Parente Prado (1973/1977)
José Euclides Ferreira Gomes Junior (1977/1982)
Joaquim Barreto Lima (1983/1988)
José Parente Prado (1989/1992)
Francisco Ricardo Barreto Dias (1993/1994)
Aldenor Façanha Junior (1994/1996)
Cid Ferreira Gomes (1997/2000)
Cid Ferreira Gomes (2001/2004)
Leônidas de Menezes Cristino (2005/2010)


Bispos de Sobral




DOM JOSÉ

O primeiro bispo de Sobral foi D. José Tupinambá da Frota. Filho de Manuel Artur da Frota e Raimunda Artemísia Rodrigues Lima, nasceu em Sobral, no dia 10 de setembro de 1882. Fez os estudos primários na cidade natal, vindo a concluir o curso secundário no seminário de Salvador. Em Roma fez os cursos de Filosofia e Teologia, sempre com brilhantismo. De lá voltou Doutor nessas duas matérias. Na Cidade Eterna foi ordenado padre, no dia 29 de outubro de 1905. Em 1906, ao voltar ao Brasil, trabalhou inicialmente em Sobral, ajudando o Pe Diogo, seu tio, nos afazeres paroquiais. Em 1907, atendendo o convite de D. José de Camargo Barros, lecionou Teologia Dogmática, Ética e Liturgia no Seminário da Ipiranga, em São Paulo. Em 1908, foi nomeado por D. Joaquim, vigário da Paróquia de Sobral, onde fixou residência. Durante os oito anos em que esteve à frente desta paróquia, deu provas de seu dinamismo empreendedor, raro talento administrativo e admirável piedade pastoral: melhorou e embelezou a Matriz, estruturou a catequese, deu nova vida às associações religiosas, dignificou os atos litúrgicos e fundou um dispensário, dedicando-se aos pobres e enfermos. Com a criação da Diocese de Sobral, em 10 de novembro de 1915, pelo Papa Bento XV, foi nomeado como seu primeiro bispo. Sua sagração episcopal teve lugar na Bahia no dia 29 de junho de 1916, aos 33 anos de idade, por D. Jerônimo Thomé da Silva, arcebispo primaz da Bahia. Sua posse nesta diocese se deu no dia 22 de julho do mesmo ano. Em seu longo episcopado foi considerado, pelo conjunto de sua obra eclesial, política, cultural e administrativa, o segundo fundador de Sobral. Quis fazer de sua cidade uma nova Roma, equipando-a de aparato multiforme, constituído pelo Seminário São José, na Betânia, os colégios Sant’Ana e Sobralense, a Santa Casa de Misericórdia, o jornal Correio da Semana, o Abrigo Sagrado Coração de Jesus, o Banco Popular e o Museu Diocesano. Ortodoxo, de moral ilibada, nunca descurou do seu rebanho, dedicando-se com desvelo à sua missão. Foi o maior benfeitor da cidade de Sobral. Durante 51 anos, dos quais 8 como vigário e 43 como bispo, foi o chefe, o líder, o pai espiritual da comunidade sobralense. Escreveu e publicou dois livros: “História de Sobral” e “Traços biográficos de Manuel Artur da Frota”. Faleceu no dia 25 de setembro de 1959, aos 77 anos de idade. Foi sepultado no pavimento da Capela do Santíssimo, na Catedral, a seu pedido, sob um epitáfio esculpido em mármore, com essas palavras: “Ad pedes Domini pie requiescat”. Seu lema: “Opportet illum regnare”.

DOM MOTA

O segundo bispo de Sobral foi o pernambucano D. João José da Motta e Albuquerque, nomeado pelo Papa João XXIII. Filho de José Feliciano da Motta e Albuquerque e Aline Ramos, nasceu em Recife-PE, aos 27 de março de 1913. Fez o primeiro grau em Nazaré da Mata e o segundo grau, o curso de filosofia e teologia no Seminário de Olinda. Foi ordenado padre aos 28 de abril de 1935, em Nazaré da Mata. Como padre, desempenhou as seguintes funções: capelão de casas de religiosas, pároco de Nazaré da Mata, pró-Vigário Geral da Diocese de Nazaré da Mata, diretor do Colégio São José; secretário do bispado de Nazaré da Mata. Sua ordenação episcopal ocorreu também em Nazaré da Mata, aos 28 de abril de 1957. Foi bispo de Afogados da Ingazeira-PE, de 1957 a 1961; nomeado bispo de Sobral-CE pelo Papa João XXIII, tomou posse dessa diocese no dia 21 de maio de 1961, ocupando este cargo até 15 de julho de 1964, quando foi designado para a Arquidiocese de São Luís, no Estado do Maranhão. Em sua curta passagem como bispo de Sobral, D. Mota participou do Concílio Vaticano II, dedicando-se ativamente aos trabalhos conciliares. Ao regressar de Roma, procurou adaptar as pastorais da diocese às orientações do Concílio; organizou as paróquias, agrupando-as em regiões pastorais; incentivou a missa dominical para o povo e levou a Palavra de Deus para o interior; lutou pela criação e implantou a Diocese de Tianguá. Lema: In manus tuas. Faleceu aos 12 de setembro de 1987.

DOM WALFRIDO TEIXEIRA VIEIRA

O terceiro bispo de Sobral foi D. Walfrido Teixeira Vieira. Filho de Galdino Feliciano Vieira e Honorina Teixeira Vieira, nasceu no dia 17 de dezembro de 1921, em Jaguaquara-BA. Estudou o primeiro grau em Jaguaquara e o segundo grau no Seminário Menor São José, em Salvador. Fez o curso superior de Filosofia e Teologia no Seminário Santa Teresa, em Salvador. Sua ordenação presbiteral se realizou em Amargosa-BA, aos 29 de junho de 1946. Desde sua ordenação sacerdotal ocupou os cargos de secretário do bispado de Amargosa, reitor do Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho de Amargosa; capelão das irmãs sacramentinas, professor do Ginásio e Escola Normal Santa Bernadete e diretor da Escola Técnica de Comércio, em Amargosa. Sua nomeação episcopal se deu aos 15 de março de 1961, como bispo titular de Lauranda e bispo auxiliar do Cardeal Arcebispo de Salvador. Sua ordenação episcopal se realizou em Salvador, aos 26 de junho de 1961, por D. Augusto Álvaro da Silva. Exerceu o cargo de bispo auxiliar de Salvador de 1961 a 1965. Foi nomeado bispo diocesano de Sobral pelo Papa Paulo VI, aos 06 de janeiro de 1965, vindo a tomar posse dessa diocese no dia de São José do referido ano. Durante 33 anos governou esta diocese com zelo apostólico e dedicação. Revestido de duas virtudes fundamentais para o pastoreio, humildade e mansidão, cativou a simpatia de seu clero e diocesanos. Seu longo episcopado foi marcado pelo implemento das transformações provocadas na Igreja pelo Concílio Vaticano II e pelas Conferências de Puebla e Medelin, adequando-a ao mundo moderno, pela valorização do trabalho leigo e pela opção preferencial pelos pobres. Dentro desse espírito, fomentou ações de assistência à saúde e à educação, voltadas para os excluídos. Apoiou a Faculdade de Filosofia e, com a criação de nossa Universidade, cedeu os prédios do antigo Seminário São José e do Colégio Sobralense para neles funcionar, gratuitamente, por mais de uma década, a novel universidade. Renunciou o governo desta diocese em 17 de março de 1998. Continuou morando em Sobral, passando três anos como Bispo Emérito, recebendo o título de Doutor Honoris Causa da UVA, e o título de cidadão sobralense da Câmara Municipal de Sobral. Depois de sua jornada na terra, toda consagrada ao Senhor e à sua Igreja, faleceu em Sobral, aos 09 de novembro de 2001. Lema: Secundum Verbum Tuum.

DOM ALDO DI CILLO PAGOTTO

Tendo sido nomeado bispo coadjutor, com direito à sucessão, D. Aldo assumiu como titular desta diocese no dia 18 de março de 1998, constituindo-se no quarto bispo de Sobral. Nasceu em São Paulo, no dia 16 de setembro de 1949. Os pais, Ângelo e Rosa, eram filhos de imigrantes italianos. Foi ordenado padre nos dia 7 de dezembro de 1977, pelas mãos de Dom José Eugênio Corrêa, em Caratinga (MG). Como padre, membro da Congregação dos Sacramentinos, serviu a Igreja em Caratinga, Uberaba (MG), São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife. Dom Aldo foi ordenado bispo no dia 31 de outubro de 1997, por Dom Cláudio Hummes, então Arcebispo de Fortaleza e hoje Cardeal. Durante seis anos de profícuo trabalho, D. Aldo presidiu, concomitantemente, a Regional Nordeste I da CNBB e reorganizou administrativa e eclesialmente a Diocese. O seu ministério episcopal caracterizou-se pelo fiel seguimento às orientações emanadas pela Santa Sé. Carismático, culto e inteligente, imprimiu nova postura pastoral à Diocese. Fez ressurgir o Seminário São José, construindo um prédio novo, adaptado à realidade hodierna. Trabalhando em conjunto com a Prefeitura Municipal e a UVA deu apoio decisivo para a criação dos cursos de Direito e Medicina, em Sobral, disponibilizando, no caso da Medicina, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital do Coração para aulas práticas e estágio dos alunos. D. Aldo defendeu ardorosamente o curso de Filosofia, com o apoio de D. Javier Arnedo, bispo de Tianguá, hoje uma feliz realidade. Em 05 de maio de 2004, foi nomeado arcebispo da Arquidiocese de João Pessoa, na Paraíba. Lema: “Um só Corpo e um só Espírito”.


DOM FERNANDO SUBURIDO

Filho de Pedro Antônio Saburido e de Severina Gomes Saburido, D. Antônio Fernando Saburido nasceu aos 10 de junho de 1947, no distrito de Juçaral, município de Cabo de Santo Agostinho-PE, Concluiu os estudos primários na cidade de Vitória de Santo Antão-PE e os estudos secundários no Seminário Menor da Imaculada Conceição da Arquidiocese de Olinda e Recife. Cursou o Ensino Médio (científico) no mesmo Seminário Menor e no Colégio Estadual Oliveira Lima. Depois de trabalhar por oito anos num estabelecimento comercial de Recife, ingressou para a vida monástica, em 1975, no Mosteiro de São Bento de Olinda-PE, em cuja Escola Teológica concluiu os cursos de Filosofia e Teologia. Emitiu a primeira profissão religiosa aos 21 de março de 1978 na Ordem Beneditina e, em 1981, a profissão Solene e a Consagração Monacal. Foi ordenado sacerdote aos 17 de dezembro de 1983. Exerceu, como padre, os seguintes ministérios: - Ecônomo do Mosteiro de São Bento de Olinda, de 1980 a 1988 - Vigário paroquial na Paróquia de Santa Terezinha, em Bonança-PE e Administrador Paroquial na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, em Olinda. - Em junho de 1989 foi nomeado Administrador Paroquial e, sucessivamente, Pároco da Paróquia de São Lucas, em Olinda. - Em 1988 foi nomeado Vigário Geral e Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife. - Foi Capelão do Hospital do Câncer em Recife de 1991 a 1999 - Em 1995 foi nomeado Bispo de Tartia Montana e Auxiliar de Olinda e Recife - Entre 2002 e 2005 foi presidente do Regional Nordeste II da CNBB - Em 18 de maio de 2005 foi nomeado Bispo Diocesano de Sobral. Lema: Secundum Verbum Tuum.

Eclipse Total do Sol




As comissões do Eclipse solar de 1919
Terminada a Primeira Guerra Mundial, os cientistas voltaram a ter condições de reiniciar suas atividades normais de pesquisa. O eclipse de 29 de maio de 1919 despertou assim a atenção dos astrônomos e físicos, e deveria ser aproveitado ao máximo. Outros fenômenos solares, como as protuberâncias e a constituição da coroa, podem também ser melhor estudados durante a ocultação. O eclipse de 1919 tornou-se assim um fenômeno de grande importância.
A Comissão americana
A Comissão Americana pertencente ao Carnigie Institution de Washington chegou em Sobral, juntamente com a brasileira, no dia 9 de maio. Era composta do Dr. Daniel M. Wise, especialista em magnetismo terrestre, e do Dr. Andrew Thonpson, especialista em fenômenos atmosféricos. O objetivo principal desta comissão foi medir os efeitos do eclipse sobre o magnetismo terrestre e sobre as propriedades elétricas do ar na ausência dos raios solares. A comissão americana instalou seu observatório na Praça do Patrocínio e se hospedou na residência do juiz José Saboya de Albuquerque.
Comissão brasileira
A Comissão científica brasileira enviada pelo Observatório Nacional do Rio de Janeiro, e chefiada pelo Dr. Henrique Morize, era composta de oito membros: Dr. Domingos Costa, astrônomo; Dr. Lélio Gama, calculador; Dr. Teófilo Lee, geólogo e químico; Dr. Luiz Rodrigues, metereologista; Dr. Alírio de Matos, astrônomo; Artur de Almeida, mecânico; e, Primo Flores, auxiliar. O desembarque se deu às três horas da tarde, do dia 09 de maio, na estação ferroviária de Sobral, procedente da cidade de Camocim, aonde chegara no dia quatro do mesmo mês, no navio de passageiros João Alfredo.
O posto de observação desta comissão foi montado na Praça do Patrocínio e tinha como principal objetivo fotografar a coroa solar para determinar sua extensão, testar a teoria da relatividade e, finalmente, fotografar o espectro da coroa para determinar sua composição e tentar medir a velocidade de sua rotação.
 Comissão inglesa
A missão mais importante cabia à Comissão Inglesa composta pelo Dr. Crommelin, secretário da Royal Astronomy society e Assistente do Observatório de Greenwich, e do Dr. C. Davidson, astrônomo do mesmo observatório. Os integrantes saíram de Liverpool, no dia 8 de março, no navio Anslm, chegando a Belém do Pará 23 do mesmo mês. Passaram um mês na Amazônia. No dia 24 de abril tomaram em Belém o navio Fortaleza, no qual viajaram até Camocim, onde chegaram no dia 29. No dia seguinte, vieram de trem para Sobral, onde foram recebidos pelo prefeito municipal Dr. José Jácome Oliveira, e também pelo Mons. José Ferreira, representante do Bispo Diocesano. O Cel. Vicente Sabóia, então deputado federal, deu guarita à comissão, que montara seu posto de observação  no hipódromo do Jockey Clube, então localizado em frente da casa em que ficara hospedada.
Como a comissão viu Sobral
Em artigo publicado na revista londrina Conquest, de janeiro de 1920, p. 129. C. Davidson assim se referiu à cidade no trecho que traduzimos: “Sobral é uma cidade do Estado do Ceará, a segunda depois de Fortaleza que é a Capital. Tem cerca de 10.000 habitantes e fica as margens do rio Acaraú. Até quando não faltam chuvas, o Ceará é um estado fértil. Infelizmente, isto nem sempre acontece e o resultado é uma desastrosa seca. Era esta a situação durante o tempo de nossa permanência. Nós chegamos no final da estação chuvosa, mas nenhuma chuva tinha caído, e nem era esperada antes de janeiro do ano seguinte. A população já estava se retirando do campo para as cidades e muitos tinham deixado o próprio estado para regiões mais favoráveis da Amazônia e do sul do Pais. O rio estava quase seco e a água para o consumo da cidade era retirada de cacimbas cavadas no leito arenoso que lentamente a filtrava”, concluiu o astrônomo.
 Por que a Comissão veio a Sobral
 Consultando um mapa da trajetória da sombra daquele eclipse, vê-se que ela começa no Pacifico, perto da costa ocidental do Peru, passa sobre o Nordeste do Brasil, atravessa o Atlântico rumo a África onde atinge a costa da Libéria e cruza a África Central, terminando no mar perto da costa oriental africana. A primeira providencia a ser tomada foi encontrar nesta linha de sombra os locais mais apropriados para onde enviar os observadores. Foi necessário considerar a facilidade de acesso, a altura do sol no momento do eclipse e as possíveis condições meteorológicas com relação as nuvens. Estes estudos foram feitos no observatório de Grrewich pelo Dr. Hinks.
No Peru, o sol estaria muito baixo, pois apenas apenas surgira no horizonte. Na África Oriental estaria também muito baixo, pois o ocaso seria próximo. Nas ilhas de São Pedro e São Paulo, no meio do Atlântico, o sol estaria a pino, mas uma estação ali seria impraticável já que são apenas rochedos isolados no mar e seu cume coberto de guano. A Libéria seria aceitável tanto com relação a duração da totalidade, como da altura do sol, mas estava no meio da estação chuvosa e as probabilidades de bom tempo eram problemáticas. No lago da Tanganica, a montagem da estação seria bastante onerosa e também as condições meteorológicas não seriam favoráveis. Os astrônomos do observatório de Greenwich decidiram, então, enviar duas expedições: Uma à cidade de Sobral e outra à Ilha do Príncipe, costa ocidental da África. Nestes dois locais, o sol estaria numa altura de 45º e a duração total do eclipse seria de cinco minutos. As condições nestes dois locais eram as melhores possíveis.
Como a comissão inglesa viu o Eclipse
"Em Sobral o Eclípse começará às 7 horas e 46 minutos (hora oficial do Rio de Janeiro). Logo depois o observador verá uma pequena sombra na parte superior do Sol, e, a proporção que o Eclípse vai aumentando, esta sombra aumentará á medida que a luz for se aproximando do disco solar, até ficar apreciavelmente menor às 8 e 56 minutos.
O Sol será totalmente obscurecido nesse momento e a escuridão cobrirá a face da Terra.
Quando os últimos traços solares desaparecerem, este maravilhoso apêndice - a coroa será vista brilhante com a sua própria luz.
As mais brilhantes estrelas serão visíveis e, a uma pequena distância acima do Sol, o planeta Mercúrio poderá ser visto mais brilhante do que uma estrela de primeira grandeza.
A obscuridade completa do Eclipse durará cinco minutos e então, como o Sol emerge detrás da Lua, a coroa desaparece. A Lua, então, pouco a pouco, passará do Sol, repetindo em ordem inversa, os mesmos fenômenos do começo."